Fortaleça sua Iniciativa Cívica

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A pandemia escancarou para toda sociedade brasileira o tamanho de nossas desigualdades, o despreparo de nossos governantes e a precariedade dos nossos sistemas de políticas públicas. Mas, sobretudo, a pandemia revelou como estavam equivocadas as críticas negativas e questionamentos injustos sobre a atuação das ONGs. Hoje são essas organizações as responsáveis por evitar uma tragédia social ainda maior. São as ONGs que estão na linha de frente em regiões de maior vulnerabilidade social, assistindo pessoas historicamente esquecidas pelo Estado. Sem uma sociedade civil atuante, não há Estado de Direito, não há Democracia, não há desenvolvimento que se sustente. 

Nesta seção, reunimos um conteúdo especial para você que já faz ativismo cívico através de um coletivo ou grupo de amigos. Desde aspectos gerais de legalização a partir do recente Marco Legal das Organizações Sociais (antigas ONGs), ao levantamento de apoio financeiro e pela participação em redes exclusivas e capacitistas. Conhece alguém que poderia se beneficiar desses esclarecimentos? Então não deixe de passar adiante! A união faz a força! 🤝

O maior desafio ainda é a captação de recursos, seja por estruturar um caminho de vinculação a orçamento público, seja por captação independente, através de doações e outros mecanismos. Os resultados da segunda edição da Pesquisa Doação Brasil, coordenada pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e realizada pelo instituto de pesquisas Ipsos, revelam o impacto da longa crise econômica e da pandemia sobre a doação dos brasileiros. Ao comparar os dados de 2015 com os de 2020, vemos que a doação encolheu no Brasil, em todas as suas formas, desde a doação em dinheiro, até a doação de bens e de tempo (trabalho voluntário). O avigoramento da cultura de doação é essencial, e por isso, igualmente fundamental estabelecer uma relação de confiança com os doadores, através de uma consistente política de comunicação e transparência. 

Sobre os achados da Pesquisa, Paula Fabiani, CEO do IDIS, comenta: “Apesar da queda das doações, a Cultura de Doação se fortaleceu nos últimos cinco anos. A sociedade está mais consciente da importância da doação e tem uma visão muito mais positiva das organizações da sociedade civil e seu trabalho. As classes mais privilegiadas demonstraram maior grau de solidariedade e responderam à crise de 2020 doando mais”. Apesar do encolhimento na prática, a população brasileira vê de forma cada vez mais positiva a doação: mais de 80% da sociedade acredita que o ato de doar faz diferença, e entre os não doadores, essa concordância atinge 75%. Outro aspecto positivo é que a ideia de que o doador não deve falar que faz doações está perdendo força. Em 2015, ela contava com a concordância de 84% da população e, em 2020, o percentual caiu para 69%. Este é um ponto especialmente importante porque o falar sobre a doação estimula sua prática, traz inspiração, esclarece temores e desperta o interesse de outras pessoas.

Porto Social

A iniciativa, referencial em Pernambuco, foi criada em 2016 para acelerar e incubar, inicialmente, 50 projetos sociais, ONGs e negócios de impacto social. A inauguração do Porto Social foi um marco para a profissionalização de entidades e indivíduos engajados socialmente, viabilizando a capacitação de iniciativas sociais e investimos em rede. "Conectamos primeiro, segundo e terceiro setor, criando soluções inovadoras que colocam o cidadão como parte ativa e de extrema importância para que as reais mudanças aconteçam", destacam no website oficial. Os programas são diversos: desde imersões para lideranças, como desenvolvimento de grupos por meio de um conjunto de atividades pedagógicas cobrindo os principais eixos de atuação de entidades civis: administrativas, financeiras, comunicação, entre outras.

Fomentadores Notórios | Itaú Social, GIFE, Fundação Ford, Oak Foundation, Fundos das Nações Unidas

O Itaú Social desenvolve, implementa e compartilha iniciativas sociais para contribuir com a melhoria da educação pública brasileira. Angela Dannemann, superintendente do Itaú Social, apresenta a atuação da instituição por meio da formação de profissionais da educação e do fortalecimento da sociedade civil em vídeo a seguir. Em conjunto com parceiros, redes de ensino e organizações da sociedade civil, o Itaú Social desenvolve e apoia ações que têm como foco o desenvolvimento pleno de crianças, adolescentes e jovens no Brasil. 

A Oak Foundation fornece suporte financeiro para o desenvolvimento organizacional e construção de capacidade. Esse apoio ajuda os parceiros a se fortalecerem em termos de capacidade organizacional, para que possam atingir melhor seus objetivos de doação e atingir suas metas. Fornecemos esse suporte diretamente aos parceiros por meio de doações ou vinculando parceiros a consultores com os quais a Oak estabeleceu parcerias. Os parceiros podem usar o dinheiro para apoiar qualquer problema de capacidade que considerem uma prioridade para sua organização. A fundação tem apoiado a sociedade civil no Brasil desde 2015. Por muitos anos, focando doações em Recife. Em 2020, passaram a apoiar comunidades em todo o Brasil, principalmente na região Nordeste do país, em seus esforços para trabalhar em prol de maior segurança, equidade e justiça.

Em pouco mais de uma década de atuação, o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife) cresceu 208%. Pioneira na América do Sul e no Brasil, a associação contribuiu para a disseminação de um novo modelo de filantropia no Terceiro Setor, o investimento social privado, ou seja, o repasse de recursos privados para fins públicos por meio de projetos sociais, culturais e ambientais. O objetivo do Gife é contribuir para o desenvolvimento sustentável do Brasil, auxiliando no fortalecimento político-institucional e promovendo apoio à atuação de institutos e fundações empresariais e de outras entidades privadas que realizam investimento social voltado ao interesse público. Na área de gestão de informação e conhecimento, o Gife realiza diversas ações focadas na sistematização de aprendizagens e divulgação do investimento social privado. Entre as publicações estão livros, guias, boletins e o site da associação.

Outros Institutos, como o Unibanco e o Votorantim, também realizam apoio voltados à projetos que fortaleçam a educação.

Formação para Ativismo em Direitos Humanos

Direitos humanos são direitos e liberdades a que todos têm direito, não importa quem sejam nem onde vivam. Uma pesquisa da Ipsos mostrou que 63% da população brasileira considera importante o trabalho em defesa dos direitos humanos. Ao mesmo tempo, muitas pessoas demonstram desconhecimento ao que de fato o conceito significa: 66% dos entrevistados pensam que esses direitos defendem mais “bandidos” do que “vítimas”. Pensando nisso, a Anistia Internacional lançou um curso online e gratuito, em português, de “Introdução aos Direitos Humanos”. As aulas são divididas em quatro módulos e mostram aos participantes como os direitos humanos estão presentes no cotidiano. 

Para o coordenador de Educação em Direitos Humanos da Anistia Internacional no Brasil, Paulo Vicente Cruz, as aulas são uma oportunidade para educadores de instituições formais, e também informais, como movimentos sociais e coletivos, “Em tempos de visões polarizadas sobre a realidade brasileira, de mistificações e estereótipos a respeito dos direitos humanos, é importante que as pessoas tenham acesso a informações confiáveis para reflexão sobre este tema. Uma formação orientada por esta perspectiva, não só, é fundamental para termos cidadãos conscientes de seus direitos, como também, para formarmos pessoas apaixonadas pela ideia de que todos e todas têm necessidades e direito básicos, e que isto está garantido por leis e normas”, afirma ao Catraca Livre.

Plataformas de Conhecimento Gerais| MROSC PE, OSC Legal, Observatório do 3º Setor e Outros

Existem diversas iniciativas referenciais com um vasto acervo para auxiliar os interessados em aprimorar seu trabalho independente.

É uma iniciativa voltada ao fortalecimento das organizações da sociedade civil (OSC). Com o objetivo de colaborar com a constituição e gerenciamento das OSCs e sua relação com a Administração Pública e com o setor privado promovendo a troca de experiências, divulgação de informações úteis, produção e disseminação de conhecimentos relacionados à gestão social e ao direito.

Em 2018 a Plataforma MROSC aprovou o projeto Fortalecimento e Regionalização da Plataforma MROSC junto à União Europeia, com o objetivo de “Contribuir para o fortalecimento da atuação das Organizações da Sociedade Civil. O projeto tem a duração de 4 anos e conta com representantes locais.

tem o objetivo de levar conteúdos gratuitos para as Organizações da Sociedade Civil ou ONGs e seus empreendedores nos temas de gestão, captação de recursos, voluntariado, comunicação e outros temas relevantes para o Terceiro Setor. É possível receber inclusive notícias por WhatsApp e boletim de e-mail.

é uma plataforma social de capacitação on-line e gratuita para organizações da sociedade civil. O objetivo é promover a melhoria da capacitação dos profissionais do Terceiro Setor para que possam administrar suas organizações com senso de oportunidade empreendedora, desenvolvimento socioeconômico, cultural, político e ético.

Captando Recursos: do Básico ao Avançado

Em qualquer conversa no Brasil em que apareça uma Organização Não Governamental (ONG), uma pergunta sempre é feita, em geral com ar desconfiado: de onde vem o dinheiro? Para tentar responder a essa pergunta e quebrar preconceitos que dificultam o trabalho das entidades, o Observatório da Sociedade Civil lançou a reportagem especial "O Dinheiro das ONGs – Como as Organizações da Sociedade Civil sustentam suas atividades – e porque isso é fundamental para o Brasil" .Apesar de uma ONG não ter interesse econômico, ou seja, não realizar atividades em busca do lucro, é preciso ter recursos para financiar o seu funcionamento. Ou seja, a captação de recursos é algo que deve ser pensado junto com o processo de criação da ONG, pois é algo fundamental para que ela possa funcionar. 

 

Algo que já podemos dizer é: todos dentro da organização precisam ser, ao menos um pouco, captadores de recursos! Veja, um dos pontos que uma organização séria e transparente mais busca é o uso racional do que é arrecadado. A eficiência no uso dos recursos é super importante, pois deixa a fatia do que se investe nos projetos cada vez mais potente. Logo, não importa seu cargo na ONG - você deve sempre estar em busca de economizar, fazer parcerias, pedir desconto, correr atrás de doação, estimular a chegada de voluntários, formar círculos de doares, fidelizá-los, e por aí vai. A sensibilização da sociedade é o primeiro passo para gerar engajamento e apoio na captação de recursos.

A ABCR - Associação Brasileira de Captadores de Recursos reúne e representa os profissionais de captação, mobilização de recursos e desenvolvimento institucional, que atuam para as organizações da sociedade civil no Brasil. Realizam eventos, cursos, campanhas e uma série de outras iniciativas de fortalecimento do setor e de apoio a quem atua por uma sociedade mais justa e democrática. Para mulheres, existe até o movimento Conexão Captadoras, em que mais de 400 mulheres estão juntas em rede e diariamente trocando boas práticas e fortalecendo a área no país. 

A captação de recursos é um conceito amplo, que vai do planejamento e estratégia, até técnicas mais específicas sobre como pedir doações das varias possíveis fontes. Se você está começando ou ainda precisa ganhar mais segurança com o tema, a Escola Aberta do Terceiro Setor oferece um curso virtual que aborda do conceito à prática da captação e da profissão do captador.

  • Conheça o trabalho da Vendaval Catalisadora em Pernambuco

A urgência de lutar contra a desigualdade social é a causa primeira dessa iniciativa criada em 2019 em nosso estado. A Vendaval Catalisadora de Impacto Social é fruto da fusão de uma consultoria política com uma oficina de criação. Como grupo multidisciplinar trabalham junto a projetos que buscam reduzir a desigualdade social em todo o Nordeste. A gestão da equipe acontece de forma horizontal, ou seja, as decisões são tomadas em conjunto e isso se reflete em seus serviços de auxílio ao fortalecimento das organizações através de processos de consultoria entendendo as dinâmicas de funcionamento e as necessidades específicas de cada grupo. Quando necessário realizam mobilização de recursos, monetários ou não, como: crowdfundings, produção de eventos, plano de voluntariado, entre outros. O objetivo é fortalecer a autonomia da organização e sua gestão financeira ampliando assim o impacto social de suas atividades.

Gestão é TUDO!

Aperfeiçoar as suas habilidades para gerenciar essa organização é o primordial, desde o bom funcionamento interno, como a dos projetos que serão desenvolvidos. Por isso, busque se aprimorar sempre através de cursos de Gestão de Projetos sociais e até com Certificação Internacional (válida em todo o mundo). A maior instância de uma associação é o seu conjunto de sócios reunidos em uma assembléia. É justamente onde as decisões importantes serão tomadas, logo após serem expostas ao público e votada por eles. Quando falamos em ONG, sempre temos que ter em mente que o consenso popular é quem decide os caminhos e rumos que deverão ser tomados.

Contudo, é de extrema importância que haja pessoas capazes de conseguir desempenhar as atividades no dia a dia da Associação, que, inicialmente, são funções da diretoria executiva e do conselho fiscal, ao adquirir expertise em qualidade de desempenho, desde a ideia até planejamento, o monitoramento e a transição. Com isso, sua organização poderá executar projetos mais estratégicos e você vai aprender habilidades para aumentar seu impacto social e reduzir os riscos do projeto. Antes mesmo da gente fundar a nossa ONG, é preciso refletir sobre alguns aspectos práticos que podem se tornar obstáculos para atingirmos o nosso objetivo. Fatores como a falta de recursos financeiros ou a falta de tempo devem entrar para a lista de relação, assim como a ansiedade, o medo de errar, de falhar. Todos esses aspectos que são sentidos pelos sócios fundadores deverão ser levados em conta.

Mapa de Organizações | IPEA

A publicação e plataforma Mapa das Organizações da Sociedade Civil, do IPEA, aponta as principais características das 820 mil organizações da sociedade civil (OSCs) mapeadas no país, bem como informações sobre recursos públicos transferidos, vínculos de trabalho, entre outras. Os dados relativos a buscas por município, Estado ou região podem ser “baixados” diretamente em planilhas do Excel no computador do usuário. Outra funcionalidade é a integração dos dados do Mapa com o Ipea Data, uma referência sobre base de dados econômicos e financeiros do Brasil mantida pelo Ipea, que inclui estatísticas da economia brasileira, nos níveis macroeconômicos, regional e social. Assim, é possível cruzar os dados das OSCs com índices do território onde está localizada, sobre diversos critérios, como educação, renda, trabalho, qualidade de vida, entre outros (como população). A versão mais recente (2018) conta ainda com uma análise prática sobre as características das OSCs, de acordo com o município, o Estado ou a Região.

Unindo esforços: as redes de colaboração

O Brasil vive atualmente um cenário de crise política, econômica e social, no qual organizações da sociedade civil, que ao longo de décadas lutaram pela promoção e defesa de direitos, veem sua trajetória e existência ameaçadas. Diante desse cenário, torna-se ainda mais importante que as organizações atuem de forma colaborativa e em rede. Iniciativas como a ABONG, a GIFE e a Estratégia ODS são materializações conhecidas dessa forma de atuar. O sétimo episódio da websérie "Sustenta OSC" fala sobre a importância da atuação conjunta das organizações, reunindo atores do campo para falar sobre os desafios e as oportunidades da atuação em rede e sua importância para a sustentabilidade econômica das organizações da sociedade civil. 

Especial: Materiais didáticos para educação política

As Oficinas de Política compõem um programa de instrução formal em cidadania e política para que professores de 9º ano do Ensino Fundamental II e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) possuam ferramentas para trabalhar esses temas em sala de aula. As Oficinas de Política são uma das frentes que integram o Programa de Engajamento Cívico da Politiquê? com escolas públicas da cidade de Araripina (Pernambuco) em 2020. O Programa foi um dos 5 selecionados para participar do Lab de Cidadania - uma iniciativa da Votorantim S.A. e suas empresas investidas, com apoio do Instituto Votorantim, que busca soluções inovadoras para a promoção da cultura democrática no nível municipal. 

Ao longo dos anos, tivemos a oportunidade de impactar mais de 5 mil pessoas com os nossos programas: Eu Escolhi Votar, Ação nas Escolas I e II, Desenvolva!, Black Women Empowered, Clubes de Debates e Programa de Engajamento Cívico de Araripina. Para apoiar outros cidadãos e organizações que também desejam promover impacto, desenvolveram um manual de programas, cuja metodologia e os princípios que guiaram o desenho, implementação e avaliação de ações, está inteiramente disponível para livre reutilização.

Dúvidas Frequentes

1 . É preciso formalizar juridicamente minha iniciativa?


Qualquer pessoa, via de regra, pode abrir uma ONG! O direito à associação é previsto pela Constituição, art. 5º, incisos XVII e XVIII. Para a abertura serão necessárias, no mínimo, duas pessoas para compor a diretoria, quem administrará a organização, e tomará decisões e medidas importantes: será a governança da entidade. Também precisará de três pessoas no conselho fiscal. É enfim, um passo a mais para grupos já consolidados e unidos em prol de uma causa. Cabe destacar que ONG não é natureza jurídica como muitos pensam - corresponde a uma denominação que destaca a principal característica das entidades do Terceiro Setor, a de realizar atividades de fins públicos, sem serem integrantes do Governo. Elas podem assumir, no entanto, diferentes nomes jurídicos conforme as características internas:

"Em 2016, com a entrada em vigor da Lei Federal nº 13.019/14, conhecida como o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil – MROSC, ficou em evidência uma nova denominação para as entidades privadas sem fins lucrativos que celebram parcerias com o poder público: Organizações da Sociedade Civil – OSC. Esta expressão tende a substituir a denominação ONG, visto que caracteriza melhor a missão das entidades, que se formam a partir da organização da sociedade civil em busca do atendimento às necessidades da sociedade (saúde, educação, assistência social, cultura, esporte, proteção de direitos da criança, adolescentes e idosos, proteção de animais e ao meio ambiente, etc.), enquanto ONG apenas informa que tais organizações têm fins sociais, mas não fazem parte do governo. Desta forma, OSC também é uma denominação, não configurando uma natureza jurídica, como as associações e as fundações." - explica o portal Escola Aberta do 3º Setor.

2. O que uma ONG pode fazer?

As entidades podem atuar em várias frentes: na área de saúde, assistência social, econômica, ambiental etc., e em qualquer esfera: local, estadual, nacional e até internacional. Ou seja, é possível criar uma ONG para defender desde os interesses de uma única rua (lutar por melhorias urbanas, segurança, entre outros) até se engajar na defesa da cidadania ou natureza de todo o planeta. As associações podem pressionar o poder público, realizar projetos, arrecadar dinheiro com múltiplas fontes (como o próprio governo, quando em parceria, ou fundos privados e até internacionais, como os mencionados ao longo da seção) e propor ações judiciais, por exemplo. Neste último caso, vale reforçar que a Constituição também oportuniza ao cidadão a defesa do interesse público de maneira individual, através da ação popular.

3. Como posso abrir uma ONG?

 

A primeira coisa é refletir sobre a coesão e consistência do grupo em seu propósito. Irão de fato assumir um compromisso conjunto? Firmes e unidos, poderão trabalhar juntos para atravessar as diversas fases até estar finalizada. De início, os interessados deverão estabelecer os objetivos da ONG/OSC e formar uma comissão para a redação de um estatuto social. Conversem e elaborem os pontos principais. Perguntem uns aos outros quais serão os objetivos da ONG? Qual o público alvo que ela deverá atingir? Lembrem-se que estão começando: no máximo três já podem ser um desafio e tanto. Após a aprovação do Estatuto, é organizada a eleição que vai decidir o comando da entidade. Realizado o pleito, é oficializada a posse da diretoria da entidade. Para registrar a entidade, será preciso encaminhar a documentação da ONG ao Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas, pagar as taxas e registrar um livro de atas. No vídeo a seguir você pode encontrar mais detalhes!:)

A princípio, abrir uma ONG pode parecer um tanto quanto complicado de se fazer, principalmente se você nunca empreendeu nessa área. Como começar esse processo de criação é a primeira dúvida de quem deseja transformar o seu sonho em realidade. Contudo, depois que você se familiariza com alguns termos do Terceiro Setor, bem como descobre como montar uma ONG, as coisas começam a clarear e, assim, acabam ficando mais fáceis para serem assimiladas. Além disso, você também precisará de um advogado para conduzir o processo de abertura. Após o estabelecimento da pessoa jurídica (associação ou fundação), com aquisição de registro no CNPJ, a entidade passa a desenvolver a sua missão.

4. O que é essencial fazer para dar certo?

 

Um trabalho como a criação de uma instituição ou ONG, deve estar fundamentado em um grande amor pela dedicação à causa e honestidade. Sem um trabalho sério e vocacionado não se chega a lugar nenhum: por isso, antes de começar, estejam seguros da missão que desejam concretizar. Conhecimento e competência são o cimento e as bases de qualquer sucesso íntegro. Seus projetos tendem a dar certo quando a constante capacitação é parte da cultura organização, nunca esqueça isso. Some forças: a luta em articulação com outras entidades potencializa o aprendizado e as vitórias! Estas organizações devem funcionar legalmente, com registro em cartório, CNPJ e registro estadual, e claro, compreender o MROSC é indispensável!

5. Onde posso obter apoio?

 

Assim que escolher a área que vai atuar, divulgue o que está fazendo. Faça alguns prospectos, crie um blog na internet, vá para a rua, comece a aparecer. Divulgue seu projeto o tempo todo. Ninguém saberá que você existe, se você não tiver um projeto em andamento e divulgado. A maioria da empresas só aposta em trabalhos que já estão em andamento. A tomada de consciência por parte das empresas de sua responsabilidade social é um fenômeno recente, porém em rápido crescimento no Brasil. Recursos não se limitam a dinheiro. O empresário pode também contribuir com o oferecimento de sua competência para a melhoria da qualidade dos projetos sociais.

Algumas ONGs têm explorado formas inovadoras de captação de recursos via comercialização de produtos e serviços, associação com administradoras de cartões de crédito para emissão de cartões de afinidade e campanhas de arrecadação de recursos destinadas ao público em geral. A potencialização dessas iniciativas passa, no entanto, por mudanças legais ainda por realizar com vista a estimular, via incentivos fiscais, a doação de recursos por pessoas físicas e jurídicas. Buscar auxílio de uma contabilidade especializada no terceiro setor pode te ajudar a lidar fielmente com toda a burocracia para abrir uma ONG, já que o contador é especializado nesse segmento e possui toda competência para executar os serviços pertinentes no final do processo. Em Pernambuco, o Conselho Regional de Contabilidade é uma fonte de indicação de tais profissionais. As ONGs são isentas de imposto de renda, mas devem declarar o IRPJ como entidade isenta. 

6. Como me manter informado sobre as melhores práticas?

Siga as iniciativas mencionadas aqui nesta seção, especialmente de captação de recursos: tanto por meio de seus perfis nas redes sociais, como assinando os boletins de e-mails sinalizados nas páginas principais dos websites oficiais. O Pernambuco Transparente pretende contribuir para ampliar a repercussão de tais iniciativas abrindo espaço em nosso Blog, além de já divulgarmos em nossas redes (sendo a mais ativa a do Instagram).

1° Fórum da Plataforma MROSC Pernambuco | "Segurança Jurídica e Conhecimento para uma Atuação Eficiente do Terceiro Setor"

A Plataforma MROSC Pernambuco promoveu o 1° Fórum no dia 26 de agosto de 2021, com acessibilidade em Libras. A iniciativa é realizada pela Plataforma e a AFABE, com o apoio de André Carvalho Advogados, Cáritas Brasileira, ELO, Plataforma MROSC Brasil e financiado pela União Europeia. Confira ainda a íntegra do 2º e 3º Painel.

Para Assistir

Debate "Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil: Desafios e Oportunidades"

Discussão sobre a Lei 13.019/14 (MROSC), que trata das parcerias entre administração pública e organizações do terceiro setor. Discussão sobre o Papel de Estados e Municípios. Os desafios das parcerias no Federalismo brasileiro. A mudança de paradigmas do MROSC e a realidade atual. Questões polêmicas das parcerias. Oportunidades para os diversos atores relacionados com as parcerias.

Webinar "Imunidades, Isenções e Receitas: o Direito Tributário no Terceiro Setor"

Debate promovido pela Comissão de Direito do Terceiro Setor e Comissão de Direito Tributário da OAB Olinda.

Live de Entrevista "Captação de Recursos em Tempos de Incertezas"

Live do projeto OSC Legal com o tema "Captação de Recursos em Tempos de Incertezas", com Lucas Seara e Daiane Dultra, ativista e captadora de recursos, com mais de 10 anos de experiência em gestão de projetos e mobilização de apoio para campanhas.

Webinar "Captando recursos: ideia para diversificar as fontes de renda da sua OSC"

Um papo com Maitê Uhlmann, que tem 16 anos de experiência em captação de recursos.

Webinar "Captando recursos: ideia para diversificar as fontes de renda da sua OSC"

Um papo com Maitê Uhlmann, que tem 16 anos de experiência em captação de recursos.

Webinar "Desafios e oportunidades do MROSC na Política Municipal de Assistência Social"

Evento realizado em 15/08/19 pela Coordenadoria de Pesquisa Jurídica Aplicada (CPJA) da FGV Direito SP, em parceria com a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) e o Instituto de Psicologia (IP) da Universidade de São Paulo (USP), para debater os desafios e oportunidades do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC) na política municipal de assistência social. O evento integra o projeto Sustentabilidade Econômica das Organizações da Sociedade Civil, que tem o objetivo de colaborar para a construção de um ambiente jurídico e institucional mais seguro e favorável para a atuação dessas organizações no Brasil.

Debate "Direitos Humanos na História"

A partir da atuação da Anistia Internacional como movimento no Brasil - participação de Jurema Werneck - Diretora Executiva da Anistia Internacional Brasil, Renata Meirelles - Historiadora e Pesquisadora da história contemporânea com ênfase em direitos humanos e ditaduras militares e Cassiano Bovo, sociólogo, ex ativista e Organizador Nacional Estratégico para Grupos de Ativismo da organização.