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Incentivo à Leitura na RMR e Goiana

"Livro: gênero de primeira necessidade.“
- Ziraldo

Introdução e Contexto

A leitura nem sempre esteve presente na história da humanidade, sendo uma de suas mais antigas formas de manifestações e exerce uma profunda influência nos seres humanos, tendo papel importante em diversos âmbitos, como na política, na psicologia, na comunicação, nas artes, nas diversas ciências, entre outros. É um dos meios pelo qual se obtém conhecimento das mais diversas áreas facilitando então, a argumentação e vocabulário para a produção de um texto oral ou também escrito. Além disso, sua presença no cotidiano da população é relevante para definir os gostos, as preferências e a expressão cultural de um povo. Em entrevista à BBC, a neurocientista americana Maryanne Wolf aponta que "ler é um conjunto adquirido de habilidades que permite fazer novas conexões entre regiões visuais, da linguagem, de pensamento e emoção". Segundo ela, "a habilidade de ler não existe naturalmente dentro de nossa cabeça. Cada pessoa que aprende a ler tem que criar um novo circuito em seu cérebro." É isso que abre portas para um novo mundo!

O acesso ao livro e à leitura é, ainda, um elemento fundamental para o exercício dos direitos humanos, ao direito à educação e à participação ativa na vida cultural e ao desenvolvimento da personalidade humana. Diversas pesquisas mostram que a leitura no cotidiano das pessoas contribui para o desenvolvimento de raciocínio, promove o equilíbrio e proporciona uma sensação de bem-estar. Ela também faz parte da evolução de compreensão social dos indivíduos, já que ao aprenderem a ler, eles podem ser transformados socialmente por ela. Em seus estudos, o Patrono da Educação Brasileira, Paulo Freire, ressalta que ler vai além de decodificar signos linguísticos; é preciso buscar a compreensão do lido para compreender o contexto vivido e assim libertar-se das ideologias que impedem de buscar condições éticas para construir uma sociedade solidária: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”, afirmou na sua obra clássica intitulada 'A Importância do Ato de Ler (1988)', uma referência universal sobre o processo de alfabetização.

Segundo o 'Manifesto da UNESCO', mundialmente instituído em 1949, a biblioteca pública deve ser, por excelência, a porta de acesso à informação, com disponibilização de forma acessível em vários suportes, e para todos usuários. Atualizado desde então conforme as transformações da sociedade, proclama a crença da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) na biblioteca pública como uma força viva para a educação, cultura, inclusão e informação, como um agente essencial para o desenvolvimento sustentável, para o desenvolvimento da paz e bem-estar espiritual de todos os indivíduos e em todas as nações. Em sua mais nova edição, a 'IFLA-UNESCO Public Library Manifesto (2022)', considera as mudanças na tecnologia e na sociedade para garantir que o referencial global da advocacia das bibliotecas continue a refletir a realidade e a missão das bibliotecas públicas no mundo contemporâneo destacando a contribuição delas para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e construção de sociedades mais equitativas, humanas e sustentáveis. 

 

Especialmente nos países em desenvolvimento, as bibliotecas ajudam a garantir que os direitos à educação e à participação na sociedade do conhecimento e da vida cultural da comunidade estejam acessíveis ao maior número possível de pessoas. No Brasil, o reconhecimento do papel da leitura ganhou seu primeiro grande marco legal e tornando-se política pública cultural permanente através de lei apenas em 2018 (o PNLB). Apesar disso, ainda segue com poucos quadros e infraestrutura, tendo se efetivado minimamente em nosso estado apenas através de alguns circuitos permanentes de grandes eventos, iniciativas pontuais em escolas (principalmente estaduais) e algumas parcerias em cidades com projetos da sociedade já renomados - como é o caso do SESC Ler, o Sesi Usina de Conhecimento, ou até mesmo principalmente por meio das bibliotecas comunitárias periféricas. Contudo, as políticas culturais oficiais ainda não estão enxergam esses grupos: queremos registrar isso para dar também visibilidade ao seu papel.

 

Fruto, em grande parcela da fragilidade dos sistemas de cultura ainda fortemente perceptível, com conselhos e mecanismos de incentivo pouco consolidados, além de impactantes casos de corrupção, como o recentemente denunciado de compra de centenas de obras literárias com sobrepreço pela Alepe, alvo de investigações. Apesar de tudo, a capital e o cenário de Pernambuco deu origem a muitos expoentes da literatura nacional, aqui ainda são produzidos os livretos de literatura de cordel (estórias contadas em versos populares). Hoje, celebramos a capilaridade em todo o estado de diversas iniciativas, que alimentam esta expressão cultural que mais aflora o conhecimento nas pessoas, ativando todo seu potencial de saber. No vídeo abaixo, o especialista Alberto Manguel explica brevemente como o acesso à literatura nos transforma.

Como a Literatura nos Transforma,  de Alberto Manguel

As origens em Pernambuco

A tradição literária em  Pernambuco tomou grande vulto,  a partir de 1852, com a criação da Biblioteca Pública Provincial, através da Lei nº 293, obrigando as tipografias a lhe remeterem um exemplar de todas as publicações editadas. O seu primeiro regulamento foi aprovado e publicado em 1874. À época de sua criação, a literatura em Pernambuco residia no Gabinete Português de Leitura (em Recife), nas estantes particulares, nos compêndios e na bibliografia da Faculdade de Olinda. A primeira instalação da Biblioteca Pública foi junto ao Liceu Provincial, que deu origem ao Ginásio Pernambucano, onde funcionava o Hospital Paraíso, situado na Avenida Dantas Barreto e que hoje correspondente ao Edifício Pernambuco.

No ínterim de algumas mudanças de sede, com a Proclamação da República, ela passou a chamar-se Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco. Posteriormente, estabeleceu-se no Prédio do Arquivo Público Estadual, na Rua do Imperador, até que, em 1971, no governo de Nilo Coelho, foi transferida, definitivamente, para sede própria, em prédio com instalações específicas e dentro das normas da moderna arquitetura.

A BPE é uma das mais ricas do Brasil em edições raras, constituindo um importante patrimônio pelo seu vasto acervo que inclui obras dos tempos coloniais e do império, do período holandês no estado, sobre história, economia e de outras classes. Esse vasto acervo também preserva jornais antigos que circulavam no Recife no início da imprensa periódica local. Editou quatros catálogos de seus livros publicados, relacionando obras a partir do século XVI. Tudo isto representa um recorte do rico acervo, estimado em 270 mil livros, e cerca de 370 mil volumes de periódicos, com o compromisso de zelar e disponibilizar esse legado cultural para as gerações atuais e futuras, cumprindo, assim, a sua missão secular de provedora do conhecimento e da preservação dos tesouros da humanidade. Confira fotos do ambiente aqui e acompanhe o perfil oficial no Instagram!

As origens em Pernambuco
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 Biblioteca Pública de Pernambuco  |  Crédito: Paulo Almeida/Folha de Pernambuco

Perspectivas para 2021/22

Desafios Pós-Pandemia

"Leitura, antes de mais nada é estímulo, é exemplo", sentencia uma das mais renomadas escritoras brasileiras, Ruth Rocha. Um outra grande personalidade, a escritora Ana Maria Machado, compartilha da mesma visão: "O que leva uma criança a ler é o exemplo.Mais do que uma expressão individual ou coletiva, a leitura é alívio ao sofrimento humano, autodescoberta, redenção e um ato de poder. "Mostre-me uma família de leitores, e lhe mostrarei o povo que dirigirá o mundo", declarou ninguém menos que o próprio Napoleão Bonaparte.

 

O período de pandemia foi sido desafiador para as artes, sobretudo a literatura, em decorrência de uma crise financeira que atinge as principais redes nacionais de livrarias nos últimos anos. Apesar da facilitação do acesso em tempos digitais, o principal desafio ainda permanece: como incentivar, incutir o seu hábito e ampliar e democratizar o acesso máximo às iniciativas existentes? Pedro Herz, fundador da livraria Cultura, explica que o hábito da leitura começa em casa. As crianças, para ele, imitam seus pais e é aí que está a chave da questão. Contudo, como ponderou inigualavelmente Carlos Drummond de Andrade:

"Eu lamento que haja pouco consumo de livro no Brasil. Mas é um problema muito mais grave. É o problema da deseducação, o problema da pobreza e, portanto, o da falta de nutrição e da falta de saúde. Antes de um escritor se lamentar porque não é lido como são os escritores americanos ou europeus, ele deve se lamentar de pertencer a um país em que há tanta miséria e injustiça social."

 

Sob essa ótica, a biblioteca pública tem fundamental importância, ela contribui para o desenvolvimento das pessoas. No cenário de fragilidades sociais diversas e ainda elevados indicadores de violência, além de ser um ótimo lugar para quem busca paz e sossego para ler, atende a todos os públicos, de bebês a idosos. Em outras palavras, o papel das bibliotecas públicas é fornecer acesso à informação de forma democrática, promovendo o desenvolvimento da cidadania. Contudo, a sociedade, por suas carências sociais, acaba por precisar de incentivos adicionais para permanecer inserida no ambiente - ou seja, mais do que somente pensarmos as dinâmicas de infraestrutura em si, é necessário pensar os contextos dos indivíduos.

 

A maioria dos projetos encontrados em nossa região metropolitana e Goiana (uma área onde residem pouco menos da metade da população pernambucana) servem ainda como fontes essenciais de transmissão de aspectos elementares de cidadania, fomentando o desenvolvimento de jovens, garantindo a redução de riscos de inserção no universo das drogas, além de compreensão e acesso à direitos, elevando a qualidade de vida em geral. Apoiados, por vezes, pelos governos locais, podem ser responsável por encaminhar ainda ações colaborativas de campanhas diversas junto aos agentes públicos dentro de suas estruturas, para prestação de informações e, quando necessário, impulso ao sucesso de políticas públicas - como as de prevenção em saúde e segurança. 

  • Estruturar bem o financiamento é indispensável e primordial inclusive para permitir a ampliação

Um assunto cada vez mais importante para as bibliotecas é a captação de recursos. Essa ação é cada vez mais necessária para essa instituição desenvolver projetos que agreguem valor ao serviços e produtos oferecidos para os usuários. Afinal, há um antes e depois numa comunidade diante da presença de bibliotecas comunitárias ou institucionais: com o tempo, após serem inauguradas em lugares que geralmente negam esse direito aos habitantes, elas se tornam até ponto de referência culturalmente.

 

O primeiro passo é verificar quais leis existem no seu Estado ou Município acessando o website da respectiva Secretaria da Cultura ou por outro órgão responsável pela área cultural. Vale acompanhar também a dinâmica das leis orçamentárias, não só para fomentar diálogos com vereadores de diversas frentes – ideológicas e partidárias, mas diretamente junto aos próprios governos municipais. É essencial a tentativa de que as nossas principais instituições governamentais locais apoiem a inclusão das iniciativas de cunho popular no orçamento (não somente as bibliotecas municipais, mas também comunitárias).

 

Além disso, é possível captar recursos junto ao setor privado. Para isso, é preciso verificar quais empresas apoiam/apoiaram projetos para bibliotecas, pois assim as chances de ter um projeto aprovado podem ser maiores. Nesse contexto, é preciso ir além da elaboração do projeto: o mobilizador necessita saber como contatar a empresa, como se portar na reunião de captação de recursos, o que fazer após a aprovação, como utilizar o dinheiro e como manter o patrocínio para projetos futuros.

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 RioTeca: projeto inovador semeia esperança na periferia, e foi totalmente requalificado pela Prefeitura do Recife (registro oficial).

  • A influência do ambiente impacta diretamente o contexto social e profissional das crianças. E esse é um dos objetivos dos projetos: o aprimoramento da cidadania

O mundo mudou e estamos nos adaptando às novas rotinas. A pandemia impactou as nossas vidas e as bibliotecas estão buscando dar as respostas que as comunidades precisam. Por essa razão, têm voltado seus esforços para as populações em situação de vulnerabilidade. Mais do que nunca as bibliotecas são muito mais que suas coleções! São locais de pessoas, de escuta, de compartilhamento de ideias, de sonhos, de aprendizado mútuo, de muita afetividade e de alegrias. São portas com infinitas possibilidades. No Brasil, e no estado, vários projetos comunitários visam fomentar a inclusão social de crianças e adolescentes por meio do estímulo à leitura - uma rede nacional celebrou, em 2022, sete anos de existência. São locais em que, acompanhados ao longo de anos de curso, os alunos de redes públicas de ensino, residentes em diversos pontos da Região Metropolitana do Recife, aprendem a construir ainda as primeiras noções de cidadania e descobrem suas vocações e talentos.

O lema do projeto Malateca é inspirador: uma biblioteca sem paredes, na rua, promovendo arte, leitura e cultura para o povo. E já ultrapassou a marca de 1.000 livros distribuídos na capital pernambucana, fortalecendo inclusive espaços de outros projetos de natureza coletiva. Escolhemos o depoimento de duas para mostrar como vivenciar essa missão, visão e valores - a da 'multiartista' Magda Alves, criadora do Malateca, e a doutora Thaís Mitiko Toshimitsu, sobre o papel da literatura no mundo contemporâneo. Neste terceiro milênio, é pertinente discorrer sobre o papel da literatura, que assim como a filosofia e outras ciências humanas, está inserida na sociedade desde a antiguidade, e além de ser prazerosa, contribui para o enriquecimento intelectual e cultural de cada leitor, apurando seu senso crítico e despertando-o para novas experiências.

  • Estruturar o atendimento presencial para possibilitar um espaço de acolhimento e atendimento de suporte às pesquisas, baseado nas necessidades individuais dos frequentadores

Elo importante na comunicação entre comunidade e a informação, as bibliotecas devem oferecer um espaço de convivência agradável, onde as pessoas possam se encontrar para conversar, trocar ideias, discutir problemas e participar de atividades culturais e de lazer. Entre as atividades extracurriculares, podem ser buscadas parcerias com consulados (a capital pernambucana detém a maior presença de representações do Norte/Nordeste) ou com universidades públicas, visando ampliar a oferta de cursos e até intercâmbios, direcionados aos alunos ou frequentadores de destaque, por exemplo.

 

Há ainda capacitações do sistema S (Sesc Ler), que também garantem a evolução profissional e holística, através de um programa de educação integrada à cidadania. Sua concepção pedagógica utiliza os conhecimentos prévios dos próprios alunos para construção do aprendizado. Com isso, busca-se o fortalecimento da capacidade intelectual, estimulando a formação da autonomia e de uma consciência crítica sobre suas relações com o meio físico, cultural, social e político. Instalados em municípios com baixo IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, os centros 'Sesc Ler' contribuem com o poder público para minimizar os números do analfabetismo no Brasil, servindo como referência para que outras instituições possam também abraçar esta causa. Ademais, têm um projeto arquitetônico moderno e despojado, com espaços de convivência e de práticas de esportes agregados: são oito unidades em Pernambuco, uma na região metropolitana (em São Lourenço da Mata).

  • Diversificar formas de alcance e quebrar noções limitadoras: Re-Imagine um mundo conectado pela Leitura

O projeto Gelateca Cultural tem como objetivo evitar o descarte errado dos eletrodomésticos, além de incentivar o hábito pela leitura, facilitando o acesso de quem reside na região de periferia das cidades metropolitanas aos livros. A iniciativa foi idealizada por Sérgio Santos e conta com a parceria de organizações sociais para difusão da cultura.

 

Outros notórios, como o 'Biblioteca Leitura nos Trilhos', desenvolvido pelo antigo Instituto Brasil Leitor (IBL), em parceria com a CBTU-Metrorec e o patrocínio da Visa, chegou a implantar uma biblioteca que atualmente detém um acervo de mais de 3 mil livros que são disponibilizados gratuitamente para os associados e catálogo que pode ser consultado por meio de um sistema de pesquisa automatizado. O Metrorec foi o terceiro sistema de trens do Brasil a ter uma biblioteca, depois de São Paulo e Rio de Janeiro. Inaugurada em abril de 2007, e localizada na Estação Recife, ali a população tem a oportunidade de levar livros atraentes para casa (o horário de atendimento é de segunda à sexta, das 9h às 19h).

A Força das Bibliotecas Comunitárias

As camadas populares são sedentas para acessar os livros e a leitura, como aponta a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2020, que indicou os mais de 27 milhões de pessoas das classes C, D e E que gostariam de ler mais e não podem fazer isso devido ao seu baixo poder aquisitivo. Se as camadas mais pobres não leem mais é por descaso do Estado, que dificulta o acesso dos mais pobres ao livro, à leitura, às bibliotecas e ao conhecimento. Para esse público, na maioria das vezes, uma biblioteca comunitária é o único espaço de convivência e produção cultural acessível para as populações mais pobres dos bairros atendidos. 

A pesquisa “Bibliotecas Comunitárias no Brasil: Impacto na formação de leitores” trouxe como uma das constatações que 86,7% dessas bibliotecas ficam na periferia de áreas urbanas e em regiões de elevados índices de pobreza, violência e exclusão de serviços públicos e identificou que são criadas e mantidas pela sociedade civil, com a finalidade de garantir e ampliar o acesso ao livro e à leitura em determinadas comunidades, e seus frequentadores – em boa parte – participam ativamente do processo de gestão e planejamento destes espaços. São lugares para encontrar a si mesmo, de convergência e radiação das identidades da comunidade. Neste lugar cheio de livros, encontram repertórios para ressignificar a trajetória e inspiração para criar outros mundos e a conhecer a própria história.

Criada com o objetivo de fortalecer a democratização do acesso ao livro e à cultura escrita, a Releitura atua através de ações desenvolvidas em cada biblioteca. A Releitura se destaca por ser a pioneira na articulação em rede de bibliotecas comunitárias do Brasil (mais de 100 existentes), e influenciou a formação de outras redes de bibliotecas comunitárias no país. Hoje, ela integra um conjunto de vários outros coletivos em diferentes estados brasileiros, todos voltados para o livro e cultura literária. A sua Rede de Pernambuco é uma articulação iniciada no ano de 2007 com quatro bibliotecas comunitárias. Com o tempo, outras três se juntaram ao coletivo para buscar o aprimoramento, a formação e o fortalecimento político e pedagógico, além da troca de informações e da ajuda mútua. Atualmente, mantém integradas sete bibliotecas comunitárias, abrangendo os municípios de Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Recife. Atende a cerca de 15.000 pessoas, em sua maioria crianças, jovens e adolescentes, focando também em suas famílias.

O panorama metropolitano engloba ainda a rede de difusão da Gelateca Cultural, e a rede Sesc de Biblioteca/PE (que atende ao comerciário, dependente e comunidade em geral, oferecendo serviços de empréstimos domiciliar de livros e pesquisas “in loco” em obras de referência como dicionários, enciclopédias e gramáticas). O Departamento Regional de Pernambuco conta com 16 Bibliotecas e 2 unidades móveis “BiblioSesc” (uma biblioteca volante que circula em um caminhão-baú, disponibilizando consultas e empréstimo domiciliar, com acervo de aproximadamente três mil exemplares).

O Impulso das Feiras e Eventos

Para enfrentar o desafio de formar leitores e de consolidar comunidades leitoras, além da mobilização de instituições formais como a escola e a biblioteca, é importante contar com a ampliação dos espaços de circulação de livros e do debate em torno da leitura, como é o caso da realização de Festas, Feiras, Festivais e outros encontros literários. Tais eventos podem compor um repertório de conexões entre a dimensão privada e intimista da leitura e as esferas públicas, criando oportunidades para o estabelecimento de vínculos de pertencimento e de participação democráticas.

 

Outros festivais e iniciativas, de substância, somam esforços no sentido de ampliar a descoberta e a valorização de artistas da terra, como a Bienal Internacional de Pernambuco (que ocorre a cada dois anos na cidade de Olinda desde 1995, estando em sua 14ª edição). Maior evento literário do Nordeste e o terceiro maior do Brasil (o segundo é o igualmente pernambucano "FliSertão", em Petrolina), é uma iniciativa consolidada pelo sucesso de público obtido ao longo dos anos e está oficialmente integrada ao Calendário de Eventos do Estado através da lei Nº 14.536/11 (sancionada e publicada no Diário Oficial no dia 13 de dezembro de 2011). O evento fomenta a atividade econômica do segmento e reforça o processo de inclusão digital através de sua plataforma virtual – E.Bienal – ampliando o alcance dos participantes e do potencial público leitor.

 

Sua realização oferece uma oportunidade ímpar de convergência entre educadores, escritores, editores, quadrinistas, profissionais diversos do mercado editorial, estudantes e o público em geral. A abrangência nacional e internacional da programação cultural conta com a participação das principais editoras e livreiros do país e da região, agregando e divulgando novos autores, proporcionando intercâmbio cultural no meio literário e artístico. 

 

A capital e outras cidades grandes da RMR também já desfrutam de festivais próprios, como Ipojuca (Fliporto) e Goiana (Flig), regionais (como a do Litoral Sul, em Ipojuca) e em 2022, houve a novidade de festivais integradores de toda a região metropolitana, unindo mediadores, contadores e profissionais para intercâmbios e trocas de saberes - a 'I Feira Literária Fortalecer: Território, Cultura e Saberes' contou com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura e com o apoio das empresas Unilever e Inbetta. Os trabalhos apresentados são frutos das atividades desenvolvidas nas três cidades onde o Projeto Fortalecer, da Aldeias Infantis SOS, é realizado: Recife, Paulista e Araçoiaba. São oficinas e ações de incentivo à leitura, que ajudam e estimulam o aprendizado e a criatividade, de maneira lúdica e adaptada para cada faixa etária.

  • Interiorização e Segmentos Étnicos

A Prefeitura de Petrolina, por meio da Secretaria de Educação, Cultura e Esportes e Andelivros, promove o Festival Literário do Sertão do São Francisco (FliSertão), que obteve expectativa superada em sua segunda edição em 2022 (na qual estima-se que movimentou mais de 20 mil pessoas). Realizada no Centro de Convenções e no Parque Josepha Coelho, a programação conta com palestras e venda de livros, além de apresentações culturais, peças teatrais, exposições de arte, recitais, lançamento de livros de autores locais (com a presença e conversa entre o público e os escritores), exibição de curtas, oficinas e contação de histórias. O evento tem a perspectiva de incentivar a cultura em suas múltiplas manifestações, promovendo a prática e hábito da leitura, através do desenvolvimento de um conjunto de eventos literários, com a participação de artistas e autores nacionais e regionais, sendo já o segundo maior do país.

Realizada pelo Centro de Produção Cultural, Tecnologia e Negócios do Sesc de Garanhuns, a Mostra "Claiô das Artes" conta com uma semana de oficinas e apresentações culturais de música, literatura, teatro e dança. O momento “Histórias ao Entardecer – Contos dos Povos Indígenas”, apresenta uma programação que envolve contações de histórias, uma conversa e uma apresentação musical sobre os costumes e tradições de quatro das nove comunidades indígenas de Pernambuco: Xucuru, Kapinawá, Fulni-ô e Pankararu. A origem do termo Claiô – o termo vem do dialeto Iatê do povo Carnijó de Águas Belas e se refere ao nome da cidade de Garanhuns: “Clai” significa Branco e “Iô” quer dizer Não, ou seja, aquilo que não é branco, mas é preto, escuro. Com essa nomenclatura, os Carnijós fazem alusão aos quilombos existentes na zona rural do município e, até hoje, chamam Garanhuns de Claiô.

  • O Concurso Ler Bem

A ASPA – Associação Pernambucana de Atacadista e Distribuidores, visando um mundo melhor, criou o Concurso Ler Bem, que objetiva através de uma competição escolar, incentivar a formação de jovens leitores do 4º ano do Ensino fundamental I, matriculados nas escolas municipais pernambucanas. O projeto visa aguçar o hábito da leitura, criando possibilidades para que os alunos possam se desenvolver na prática da leitura, uma vez que o hábito é fundamental para a prática de produção de texto. Sendo assim, o propósito deste trabalho é, acima de tudo incentivar o aluno à leitura e a desenvolver a escrita em todos os seus aspectos, criando condições para que tais atividades se desenvolvam de forma leve, através da dinâmica do concurso. Atualmente, alcança mais de 100 municípios em todo o estado.

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Os Planos Governamentais e a Infraestrutura nas Escolas

O maior estudo sobre a educação do mundo, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), apontou que o Brasil tem baixa proficiência em leitura. Segundo a pesquisa, o país ocupa a 60ª posição em um ranking sobre a média mundial em leitura entre 70 países. O Brasil possui uma riqueza cultural e artística que precisa ser incorporada, de fato, no seu projeto educacional. Isso só acontecerá se escola e espaços que trabalham com educação começarem a valorizar e incorporar, também, ao seu contexto de vivências.

 

O Plano Nacional do Livro e Leitura - PNLL é produto de uma ação liderada pelo Governo Federal (por meio da Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo e do Ministério da Educação), que consolidou o resultado de sugestões de representantes de todas as cadeias relacionadas à leitura, e também de educadores, bibliotecários, universidades, especialistas em livro e leitura, organizações da sociedade civil, empresas públicas e privadas, governos estaduais, prefeituras e interessados em geral. Trata-se de diretrizes básicas para assegurar a democratização do acesso ao livro, o fomento e a valorização da leitura e o fortalecimento da cadeia produtiva do livro como fator relevante para o incremento da produção intelectual e o desenvolvimento da economia nacional. Elas têm por base a necessidade de formar uma sociedade lei­tora como condição essencial e decisiva para promover a inclusão social de milhões de bra­sileiros no que diz respeito a bens, serviços e cultura, garantindo-lhes uma vida digna e a es­truturação de um país economicamente viável.

A constituição do PNLL foi um marco significativo para a elaboração de uma Política de Estado, de natureza abrangente, que possa para nortear, de forma orgânica, políticas, programas, projetos e ações continuadas e permanentes. A partir dessa normatização, a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco, e a Alepe, aprovaram o PELLLB estadual, que determina, entre outras coisas, como o estado deve gastar recursos para incluir mais gente nas decisões e ações. Construído democraticamente com escutas por todas as macrorregiões do estado, com a intensa participação das cadeias/elos mediadoras, criativas e produtivas/distributivas, foi aprovado no Conselho Estadual de Cultura (pela Resolução nº 2, de 12 de dezembro de 2018), e consolidado com a aprovação da Lei Estadual nº 16.991 (de 06 de agosto de 2020), que “Consolida e amplia a Política Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Estado de Pernambuco”.

 

O PELLLB pretende fazer a economia circular, garantir o alcance dos bens culturais nas escolas, bibliotecas públicas - ou seja, é uma lei do livro para quem de fato mais precisa. Planejar, gerir e executar políticas públicas e respectivas atividades de ensino, pesquisa, promoção e difusão do acesso à leitura do Estado de Pernambuco; objetivando a valorização da cultura, excelência na formação de profissionais e sendo agente para o desenvolvimento social através da literatura. 

 

É válido frisar que, além desses instrumentos (que consagraram uma luta de mais de uma década da sociedade civil e gestores engajados), no final de 2021, foi eleita a nova composição da Comissão Setorial de Literatura, instância de assessoramento ao Conselho Estadual de Política Cultural (CEPC-PE), de caráter consultivo, articulador, participativo e informativo: um espaço de diálogo entre a sociedade civil e o poder público sobre as políticas setoriais de cultura, neste caso a Setorial de Literatura. Em fevereiro de 2022, foi publicada a Portaria Intersecretarial nº 001 (de 21 de fevereiro de 2022), designando os representantes da Sociedade Civil para comporem o Grupo de Monitoramento do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas. Tanto a Comissão Setorial quanto o Grupo de Monitoramento têm em sua composição a representação paritária da sociedade civil e dos governos.

Os planos, consonantes entre si (em conteúdo e estrutura), estabelecem metas e ações do poder executivo para ciclos decenais, prevendo uma conquista importantíssima em âmbito estadual que é a indicação das metas prioritárias relativas à implantação do PELLLB pelas Secretarias de Cultura, de Educação e Esportes na Lei Orçamentária Anual (LOA) - ou seja, a previsão de recursos para sua devida execução. Assim, a legislação estadual é equivalente na esfera federal, à Lei Nº 13.696 (conhecida como “Lei Castilho”), que institui a Política Nacional de Leitura e Escrita. Esta, por sua vez, no seu artigo 4º, regulamenta o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL).

Similarmente, os municípios também devem debater e aprovar seu Plano, e o consolidar como um mecanismo de estímulo à propagação da leitura, de avanço educacional e de mudanças nas relações do trabalho, projetando-se como instrumento basilar para crescimento local. Entre os benefícios de promover a leitura na escola, as habilidades fazem os estudantes melhorarem o desempenho também em todas as disciplinas. Cabe reforçar que é uma das linguagens universais, que se traduz em diferentes formas, capazes de expressar e comunicar sensações e pensamentos ampliando a capacidade sensorial dos estudantes amplamente (como colocado no topo da página).

 

A proposta também se destina a fortalecer o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, no âmbito do Sistema Nacional de Cultura, promovendo as demais políticas de estímulo à leitura e ao conhecimento. Embora tenha lançado um Plano de maneira precursora, o Recife sempre teve dificuldades de implementação por conta da precariedade das suas unidades de ensino, expostas em uma plataforma de fiscalização universal "Raio-X das Escolas e das Creches", desenvolvida pela equipe do ex-vereador e professor da UFPE, André Régis. É por essa magnitude que surgiu a campanha nacional pela universalização de bibliotecas em escolas brasileiras "Eu Quero Minha Biblioteca", uma vez que o Brasil apresenta números preocupantes: 69% das escolas públicas brasileiras ainda não têm bibliotecas.

Como conclusão, esclarece o artigo de Roberto Azoubel (doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade da PUC-Rio e Coordenador de Literatura da Secretaria de Cultura de Pernambuco):

"Por fim, vale destacar também que a Lei nº 16.991, ao instituir esse modelo de política planejada, dialoga com a meta 46 do Plano Nacional de Cultura (PNC), que estabelece o objetivo de alcançar 100% dos setores artístico-culturais representados no Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC) com colegiados instalados e planos setoriais elaborados e implementados, conforme previsto pelo Sistema Nacional de Cultura (SNC). O Plano Estadual de Cultura de Pernambuco tem como uma de suas ações a institucionalização do Sistema Estadual de Cultura com todos os componentes do SNC - incluindo, na mesma lógica sistêmica da esfera federal, seus subsistemas setoriais. Os planos dos setores artístico-culturais estão, portanto, prenunciados nessa estrutura. O PELLLB é o primeiro deles. Sua regulamentação, importante pelas razões apontadas nesse texto, é um marco inaugural nas políticas culturais pernambucanas e uma peça de construção no desafio de instituir o Plano Nacional de Livro e Leitura no país."

Construir o retrato da situação dos Planos Estaduais e Municipais do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (PELLLBs e PMLLLBs) em todo o país, é a missão da “Rede Leitura e Escrita de Qualidade para Todos” (LEQT), que realizou, em setembro de 2020 uma pesquisa (coordenada por José Castilhos e Renata Costa, ex-secretários executivos do Plano Nacional do Livro e Leitura/PNLL), e entrevistados na live abaixo da Biblioo - confira! Criada em 2012 e abrigada junto ao GIFE, a LEQT reúne mais de 80 organizações que atuam no campo da promoção da leitura, da educação e da cultura.

  • A estruturação em nível municipal

Em Pernambuco, segundo levantamento recente do JC (referentes a dados de 2019), as redes municipais absorvem 70,1% dos alunos dos anos iniciais do fundamental. Outros 28,7% estão nas escolas privadas e apenas 1,2% na rede estadual, segundo o Censo da Educação Básica 2019 do MEC. Nos anos finais, as escolas municipais ficam com 55,2% das matrículas. Os colégios estaduais absorvem 25,6% e a rede particular, 19%. Em todo o Estado, computando todas as redes, são cerca de 1,2 milhão de alunos cursando uma das nove séries do fundamental, com destaque para o volume absorvido pela rede municipal.

Instituído pelo Decreto nº 11.554 (17 de junho de 1986), o Sistema de Bibliotecas Públicas de Pernambuco tem como missão incentivar a implantação e modernização de Bibliotecas Públicas Municipais, dar assistência a essas instituições para atuarem como centros de informação e de convivência comunitária oportunizando ao indivíduo o direito pleno de cidadania. Algumas das atividades desempenhadas são: visitas de diagnóstico, técnicas e de supervisão; contatos com representantes do poder público municipais (prefeito/secretário); capacitação de recursos humanos para bibliotecas; serviços de extensão, como o projeto Caixa Estante; divulgação de programas e editais voltados para bibliotecas através do Sistema Nacional de Bibliotecas e do Ministério da Cultura. Atualmente, Pernambuco contabiliza aproximadamente 190 BPM's, distribuídas em 185 municípios, ou seja, 96,2% do estado, conforme dados oficiais

 

No entanto, apesar de a universalização das bibliotecas em instituições de ensino públicas e privadas ser um direito previsto na lei federal 12.244/10, nem todas as escolas públicas do estado oferecem uma biblioteca ou espaços adequados para o incentivo à leitura no ambiente escolar (como uma sala de leitura). E, por vezes, quando existem, não são geridas por profissionais especializados suficientes para essa implementação. Para agravar, várias grandes cidades da própria RMR não possuem sequer ainda um Plano Municipal de Cultura. Considerando o quadro e seu espraiamento em outros lugares do país, a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou (no final de 2021), o Projeto de Lei PL 4003/20, que altera a Lei 12.244/10, estendendo o prazo de universalização para que as bibliotecas escolares contenham o acervo mínimo de um título para cada aluno matriculado e um bibliotecário por escola. Inicialmente, a data limite seria de 2020, mas, com a alteração, o prazo passaria a ser 2024, último ano de vigência do Plano Nacional de Educação (PNE).

 

Apesar disso, é possível, executar programas estratégicos. A Prefeitura do Paulista chegou a apostar na música para despertar talentos e promover a cultura de paz nas escolas, oportunizando em 30 unidades (quase metade do total existentes) da rede municipal do município alguns concertos aula. O concerto tem como objetivo desmistificar o universo da música clássica para as crianças, ao mesmo tempo em que as sensibiliza para a importância da educação musical. Um exemplo de como começar, mesmo sem ter condições para a universalização de eventos ou até o ensino de instrumentos. Em Goiana, a Prefeitura mantém parcerias com as grandes empresas locais para desenvolvimento de projetos com os estudantes, e em Recife, o programa Palavra Cantada capacitou os professores de toda a rede municipal para abordarem o ensino musical em atividades cotidianas.

O nosso Plano Nacional de Livro e Leitura, concebido de forma democrática e plural pela sociedade civil, mesmo abandonado atualmente, é referência para os países ibero americanos. Temos uma legislação potente desde 2003 para o incentivo à leitura, e essa política de Estado, já aprovada e existente, conta com a sustentação de técnicos que estão nos ministérios responsáveis”, enfatizou o especialista em políticas públicas de leitura e Prof. Dr., José Castilho Marques Neto, em audiência pública promovida pela Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados (CLP) em novembro de 2021 para debater a execução e a fiscalização do cumprimento da legislação existente.

  • A educação literária eleva a compreensão e envolvimento com a cultura local. Esse viés também pode  ser abarcado no processo pedagógico cotidiano,  integrando autore(a)s pernambucano(a)s na sala de aula

Despertar o gosto pela leitura através da valorização de autores locais permitirá estimular nos estudantes habilidades que os ajudarão a ter curiosidade pela riqueza histórica não só de suas raízes, mas por diversas culturas e a criar possibilidades de ação em busca de um mundo melhor. A rede das bibliotecas municipais públicas da capital (ligadas aos equipamentos Compaz) fazem parte dessa abordagem que incorpora o conceito de biblioteca viva, de convivência e de transformação do ser humano através da literatura, das artes, da música, do teatro, do cinema e da cultura popular. O Compaz Ariano Suassuna, aliás, facultou o encontro 'Mobiliza Pernambuco', no qual foi apresentado o projeto “Tô na Rede”, que tem como objetivo transformar as bibliotecas em ambientes cada vez mais humanizados: contando com a presença de pesquisadores, profissionais de biblioteca, youtubers, escritores e músicos. Os convidados abordaram, a partir de suas vivências, a Agenda 2030 da ONU, tratando do papel das bibliotecas na sociedade (saiba mais nos vídeos). 

Para aproximar estudantes do ensino médio da produção literária local, foi criado o projeto Outras Palavras. Capitaneado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), o programa foi fruto da inquietação da vice-presidente do órgão à época (Antonieta Trindade), após 32 anos de trabalho em escolas estaduais. Com início em 2015, o projeto levou autores agraciados no Prêmio Pernambuco de Literatura e artistas para um bate-papo com os alunos: os autores detalhavam o processo criativo e respondiam a questionamentos. Ao fim da manhã de diálogo, a escola recebia um conjunto de obras premiadas para o acervo da biblioteca. O Outras Palavras visitou, ao longo de dois anos, 223 unidades de ensino com 375 edições. Foi a porta de entrada para dois mil alunos aprofundarem o conhecimento em literatura pernambucana (impactando nove mil pessoas no bojo). Ao todo, 4,5 mil livros foram doados.

Contribuições Acadêmicas para o Avanço Local

A missão do Centro de Educação, e igualmente a da Universidade Federal de Pernambuco, assume como tarefa social reinventar-se e contribuir, contínua e sistematicamente, para a cultura na qual está inserida e necessários conhecimentos científicos e populares, através da pesquisa, do ensino, da extensão e da avaliação de programas sócio-educacionais; estes garantirão, em última instância, a autonomia de decisão da sociedade e sua emancipação, ao mesmo tempo em que se ocuparão do aperfeiçoamento Institucional.

 

A Feira Territórios Interculturais da Leitura é um encontro anual que objetiva promover debates no campo da biblioteca, da literatura e da leitura e procura mobilizar diversas ações que contribuam para uma sociedade cada vez mais leitora. Uma peculiaridade dessa Feira é seu enfoque nas mediações de leitura e no acesso público ao livro e à leitura, com destaque também para a produção autoral e editorial, especialmente de comunidades periféricas, mulheres e jovens. Fruto de uma articulação interinstitucional mobilizada pelo Centro de Estudos em Educação e Linguagem (CEEL), núcleo de pesquisa e extensão da UFPE que desenvolve atividades com foco na melhoria da Educação Básica em escolas públicas e particulares, a promoção da Feira envolve, desde sua primeira edição, o movimento de bibliotecas comunitárias, organizações culturais e governamentais. Em 2020, esta ação passou a integrar o Programa de Extensão "Bibliotecas comunitárias na UFPE e UFPE nas bibliotecas comunitárias", o que lhe assegurou uma maior vinculação institucional e ampliou seu alcance em termos de público.

A Feira de Leitura do Centro de Educação (que possui perfis no FacebookInstagram e Youtube) acontece no próprio CE valoriza a cultura nordestina e traz reflexões sobre práticas de mediação de leitura, os percursos na formação de leitores e a sustentabilidade das experiências de incentivo à leitura. “A programação reúne, dinamiza e aproxima a literatura dos estudantes universitários, professores, técnicos e sociedade, de um modo geral, valorizando o texto literário como principal ferramenta de incentivo à leitura literária”, explicam os organizadores do evento, que conta com escambo de livros, exposição, lançamentos, jornadas literárias, contação de histórias, roda de diálogo, projeção de curtas, debates, minicursos e atividades culturais.

 

Organizada por 43 integrantes das diferentes comissões, 32 monitores (14 bolsistas de extensão e 18 voluntários), além de 13 grupos mais, e diversos apoiadores, Em 2021, ao escolher como tema "Memórias literárias e tradição oral" a Feira provocou um amplo debate acerca da importância da leitura para a constituição de identidades coletivas, com destaque para a cultura popular, os saberes dos povos originários, a diversidade étnico-racial e para as múltiplas linguagens artísticas e sua contribuição para a afirmação de valores humanos em uma sociedade inclusiva. esteve integrada a 2 Festivais Literários e a 2 Festas Literárias. A programação uniu o 1º Festival Caranguejo Tabaiares e o 1º Festival Xukuru, em Pesqueira, além da 5ª edição, da FLAL (Festa Literária do Alto do Moura) e da 5ª FLAL (Festa Literária do Coque).

O curso de Licenciatura em Letras da Universidade de Pernambuco (UPE) realiza, em datas especiais, atividades de incentivo, como oficinas de leitura e escrita em escolas públicas e particulares, além de palestras de formação na UPE, saraus, mostras literárias e bibliográficas em diversos espaços públicos (praças, ônibus, barquinhas, shoppings etc.). A formação é oferecida nos seguintes Campi: Garanhuns, Mata Norte e Petrolina. A UFRPE e o IFPE também não ficam para trás, somando com iniciativas e estudos. O Departamento de Letras da UFRPE possui uma revista a 'Encontros de Vista', com foco na produção dos discentes em iniciativas que visam a fomentar o ato de leitura entre alunos dos Ensinos Fundamental e Médio. Os trabalhos podem ser consultados, na íntegra, no website da revista. Vale destacar que núcleos exclusivos abordam recortes raciais, como os Núcleos de Estudos Afrobrasileiros (NEAB) da UFRPE, da UFPE, da Unicap e do IFPE.

Com mais de uma década, o PET/'Conexões - Práticas de Letramento' é um grupo interdisciplinar que acolhe os estudantes das diversas áreas das Licenciaturas da UFRPE. É um Programa de Educação Tutorial, que tem por objetivo principal favorecer aos alunos de graduação para o exercício do ensino, da pesquisa e da extensão. Nele, são desenvolvidos projetos que articulam as práticas de leitura e escrita com as áreas de formação, construindo uma conexão de saberes, a fim de viabilizar o exercício de cidadania no chão das escolas públicas. Trabalham com a perspectiva de letramentos que proporcionem aos sujeitos práticas de leitura e escrita que promovam a tomada de consciência de seu papel como agente de transformação  na sociedade. 

 

Objetivando promover a interação de grupos dessa natureza com outros grupos de ensino, pesquisa e extensão, bem como com toda comunidade universitária, o programa realiza o 'LECID - Letramentos para a Cidadania', evento interdisciplinar que discute práticas de leitura e escrita presentes e necessárias em diferentes áreas do conhecimento. Caminhando para sua nona edição, apresenta como eixo norteador discutir os multiletramentos presentes na cultura, na educação e nas ciências num contexto político em que somos convocados a resistir para garantir as conquistas históricas alcançadas nessas áreas. As últimas edições encontram-se disponíveis no canal de Youtube.

Para os que desejarem aprofundar conhecimentos, livros em formato e-book podem ser baixados gratuitamente no portal da Editora Universitária de Pernambuco (Edupe), vinculada à Universidade de Pernambuco (UPE). Os livros representam uma parte da produção científica de professores e alunos em conclusão de curso. 

Panorama RMR + Goiana

O acervo oportunizado nesta parte propõe-se a auxiliar a compreensão da trajetória das nossas iniciativas locais metropolitanas, promovendo a coleta, organização, e socialização da memória institucional, pois possuem vasta experiência de atuação com as comunidades do entorno, formando jovens, transformando-os e potencializando seus talentos nos mais diversos âmbitos, projetando-os para uma vida profissional mais rica, contribuindo também diretamente para a preservação e difusão das expressões artístico-culturais do universo pernambucano - pioneiro no país, inclusive, o Sistema de Bibliotecas Públicas de Pernambuco (SBPE) foi instituído pelo Decreto 11.554, de 17/06/1986 e tem como missão principal a implantação e implementação de Bibliotecas, acompanhando as ações desenvolvidas por elas.

 

Em âmbito estadual, a Assembleia Legislativa (Alepe) concede, em Reunião Solene, o Prêmio Prefeitura Amiga da Biblioteca. Destinado a agraciar gestões municipais pernambucanas que promovam a instalação e manutenção de bibliotecas públicas e escolares, foi instituído em 2015. Desde então, a iniciativa pode contemplar, anualmente, O prêmio criado é uma iniciativa que estimula as cidades a serem bons exemplos de incentivo e foi criada a partir de projeto de resolução de autoria da presidente da Comissão de Educação e Cultura (deputada Teresa Leitão/PT), e prevê a entrega de diploma e troféu aos municípios que promovem a instalação e manutenção de bibliotecas públicas e escolares. Para receberem a premiação, as gestões das cidades precisam preencher requisitos estabelecidos na Resolução nº1317/2015 - dentre eles, a instalação de bibliotecas em condições adequadas; a existência de programas de formação continuada desenvolvidos para atuação do corpo técnico; a quantidade de servidores selecionados por concurso público (bibliotecários formados para as bibliotecas públicas) e maior acervo de autores locais.

 

A promoção de ações de formação de mediadores de leitura e de contadores de histórias em Libras ainda é levada em consideração. Diante de um mundo em constante evolução tecnológica, cabe aos gestores atentar para a necessidade de modernizar esses espaços, a fim de acolher a nova geração de leitores. A disponibilidade do acervo na maioria das bibliotecas públicas da região metropolitana norte é ainda insuficiente, além do que não reflete a realidade informacional dos municípios, nem mesmo as necessidades dos usuários. Com isso não há uma motivação natural da comunidade para a valorização das instituições. 

A partir de uma pesquisa de documentos e informações disponíveis em meio virtual, bem como da observação do local, traçou-se um perfil geral também das bibliotecas municipais, com o objetivo de oportunizar um olhar mais atento sobre o seu funcionamento e sua contribuição para o desenvolvimento social, cultural e educacional do Estado. A biblioteca pública municipal complementa a ação da biblioteca escolar, mas não se confunde com ela: para preservar sua identidade, não deve funcionar dentro de prédio escolar. O diagnostico revela que a maioria dessas instituições restringem suas atividades na função educacional, tendo assim pouca contribuição para a cultura dos municípios. A pesquisa revela também ausência de políticas públicas para bibliotecas, o que reflete diretamente na falta de infraestrutura física, equipamentos, recursos tecnológicos e na carência de recursos humanos capacitados. Além do que, frisa a importância do Sistema de Bibliotecas Públicas de Pernambuco, na tentativa de minimizar os problemas citados. 

 

Cabe a todo(a)s nós, cobrar das autoridades a necessidade da Biblioteca contar com recursos próprios, recebendo parcela ponderável dos recursos destinados à educação e cultura e com a aplicação dos mesmos com base num planejamento pré-determinado e sempre tendo como objetivo principal uma melhor assistência ao usuário, com a devida coordenação por profissionais especializados. Além das condições de infraestrutura e patrocínios previstos para funcionamento, bem como os canais adotados para atendimento (com meios de contato à disposição), apresentamos também o perfil das iniciativas comunitárias, grandes catalisadoras de cidadania e muitas vezes as reais fomentadoras do acesso ao livro.

 

Os comentários sobre condições decorrem de conteúdos dos websites oficiais de governo e dos próprios projetos, compartilhados até nas redes sociais, e que acabam por refletir a presença ou falta de recursos para sua atuação. A referência utilizada para o quantitativo populacional ajuda a entender o porte e abrangência de atendimento, com uma estimativa de 2020 do IBGE, assim como a importância de atrelar a uma política da educação municipal, considerando os indicadores do IDEB. Infelizmente, as bibliotecas públicas sofrem ainda com calendário de atividades inexistentes ou sem qualquer publicidade, por isso, sem maiores detalhes ou conhecimento (caso conheça algum, não deixe de entrar em contato!).

Panorama Metropolitano + Goiana

 “Pesquisadores estão percorrendo bibliotecas comunitárias em Pernambuco”, 2020.

  • Tópico Especial: Integração Local

Uma forma de dar ênfase ao entrosamento e criação de processos de integração regional são encontros entre cidades vizinhas, impulsionando um ecossistema de inovação fundamentado em características e peculiaridades geográficas e da infraestrutura, fortalecendo as capacidades dos participantes com a troca de experiências e até acordos de cooperação (convênios). Em novembro de 2012 foi realizado o I Encontro Estadual de Bibliotecas de Pernambuco, e que precisou ser impulsionado pela sociedade civil: a união da Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede (da Região Metropolitana do Recife), do Centro de Cultura Luiz Freire (ONG de Olinda) e do Instituto C&A, a partir do Programa Prazer em Ler, que esperavam que a troca de experiências levassem à construção de propostas para o desenvolvimento de bibliotecas de qualidade em Pernambuco (confira fotos aqui).

A segunda edição já ocorreu no ano seguinte, dentro da programação da IX Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. O encontro possibilitou reunir todas as cadeias que envolvem a leitura literária – produtora, distribuidora, criadora e mediadora – em torno do propósito de garantir acesso a bibliotecas e à leitura de qualidade. O evento também foi oportunidade de conhecer os resultados do mapeamento de bibliotecas no estado, iniciado na primeira edição, e que teve sequência por meio dos Seminários de Leitura e Bibliotecas, promovidos pela Coordenadoria de Literatura – Secult-PE/Fundarpe durantes os Festivais Pernambuco Nação Cultural ao longo de 2013. Na ocasião também foram realizadas oficinas para a construção dos Planos Municipais do Livro e da Leitura.

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 I Encontro Estadual de Bibliotecas, novembro de 2012 (Olinda/PE)

Ocasiões festivas podem proporcionar também momentos de encontros inesquecíveis: em 2019, no Cais da Alfândega, no Recife Antigo, tivemos um para marcar a história. Ipojuca, reconhecida por sua célebre 'Fliporto', proporciona um respiro de Arte, Cultura e Educação, no mês de agosto, durante a realização do Festival do Livro do Litoral Sul (que chegou à sua 4ª Edição em 2022). O evento promovido pela Associação do Nordeste das Distribuidoras e Editoras de Livros (Andelivros), teve um hiato de dois anos por conta da pandemia, recebe todo apoio da Prefeitura de Ipojuca através da Secretaria de Educação para ser concretizado em grande estilo, com sede no Clube Municipal. Na programação, palestras, lançamentos de títulos, apresentações culturais, contação de histórias, entre outras atividades para estudantes, professores e profissionais da Educação e o público interessado.

A capital pernambucana até mesmo sediou, em 2017, o 4º Encontro da Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC) e o 11° Encontro do Programa Prazer em Ler (PPL). Mais de cem bibliotecas comunitárias de nove estados do país estiveram reunidos no Recife: doze redes, congregando 115 bibliotecas nos estados do Pará, Maranhão, Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Além de discutir políticas públicas de formação de leitores, eles contaram com uma vasta programação que celebrou o marco dos dez anos da rede local: a nossa Releitura. Criada em 2007, ela começou com quatro bibliotecas comunitárias, que se encontravam uma vez ao mês, para compartilhar experiências e fortalecer suas atuações.

Hoje, somos nove bibliotecas comunitárias do Recife, Jaboatão e Olinda, e temos forte presença nos espaços de participação social para construção de Políticas Públicas voltadas ao Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas”, pontua a articuladora Isamar Assunção, que integra a coordenação da Biblioteca do Cepoma, em Brasília Teimosa. A Releitura tem assento no Conselho Estadual de Políticas Culturais; participa do Fórum Pernambucano em Defesa do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas; integra a comissão executiva que está trabalhando na elaboração do Plano Estadual do Livro, Leitura e Bibliotecas (PELLLB); tem marcado presença em todas as audiências públicas para elaboração do Plano. Todas as bibliotecas da Rede tem hoje um excelente acervo e pessoal qualificado para atuar na formação de leitores. “Mas garantir a sustentabilidade é uma luta constante”, afirma o articulador Fábio Rogério, que coordena a Biblioteca Amigos da Leitura (no Alto José Bonifácio).

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  • Tópico Especial: A Luz das Periferias

O hábito da leitura pode transformar realidades. É o que defendem projetos de incentivo à leitura localizados nas periferias brasileiras, inclusive as do estado. A pioneira Livroteca Brincante do Pina, criada em meio às palafitas na Maré do Pina (Recife/PE), tornou-se um símbolo de luta pela leitura como um direito humano, sendo catapultada a primeiro Ponto de Leitura do País. Os espaços de leitura comunitários surgidos nesses contextos têm o objetivo de garantir o uso público e comunitário dos livros como essência, mas também se organizam em torno de pautas sociais e de acesso à cultura - conseguem fazer com que os que não têm dinheiro para adquirir livros possam ter acesso ao mundo da literatura e ao mesmo tempo, catalisam a reflexão sobre as mais diversas pautas que afligem os moradores de uma região.

Foi buscando enfrentar esse desafio, que o projeto Geladeira Cultural virou referência ao transformar geladeiras velhas em bibliotecas, instaladas em espaços públicos. Mediante parcerias com entidades privadas e governos municipais, foi ampliado no Recife através de uma parceria firmada entre o movimento Periferia & Cidadania, que idealizou a iniciativa, e a Prefeitura do Recife, alcançando diversas outras cidades da região metropolitana, como Camaragibe, São Lourenço da Mata. “Muitas escolas não possuem bibliotecas, o que dificulta o acesso das crianças aos livros. E essa geladeira vem para suprir essa necessidade cultural. O fato de ser algo diferente desperta o interesse dos pequenos, que, aos poucos, vão se apaixonando pela literatura”, explica o coordenador do movimento, Sérgio Santos. Três anos após a criação do projeto 32 Gelatecas já haviam sido doadas em toda a RMR.

  • Tópico Especial: Lendo Mulheres

Em 2014, a autora e ilustradora inglesa Joanna Walsh popularizou nas redes sociais a hashtag #readwomen2014, um projeto pessoal que consistia em ampliar seu contato com a produção de mulheres na literatura. A iniciativa despertou o entusiasmo e o interesse de três jovens aqui no Brasil, que, em 2015, começaram a campanha para formação de clubes de leitura em São Paulo. O Leia Mulheres surgiu a partir do encontro de três amigas com interesses em comum: feminismo, paixão pela literatura e o desejo pela transformação. Completando sete anos neste março de 2022, a iniciativa se consolida como uma rede potente composta por mais de 300 mediadoras distribuídas em mais de 160 municípios em todos os estados do Brasil e também no exterior (como em Portugal, Suíça e Alemanha). Em Pernambuco, há grupos nas cidades de Recife, Belém do São Francisco, Ipojuca, GaranhunsOlinda, Nazaré da Mata, e Petrolina.

 

Cabe mencionar o projeto recente 'Escritoras PE' que pesquisa autoras pernambucanas ou residentes no estado e a existência ainda de outros grupos nacionais de leitura dedicados à Mulheres Indígenas e o Mulheres Negras na BibliotecaEm matéria especial sobre o Leia Mulheres, a revista Elle destaca a relevância:

 

"Para entender a importância do projeto, vale resgatar alguns resultados coletados a partir de uma pesquisa desenvolvida pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, vinculado à Universidade de Brasília (UNB), que mostram que mais de 70% dos livros publicados por grandes editoras brasileiras entre 1965 e 2014 foram escritos por homens. Além disso, 90% foram escritos por pessoas brancas e pelo menos metade vem do eixo Rio-São Paulo. A pesquisa ainda apontou que, em 115 anos de existência do prêmio Nobel de Literatura, apenas 13 mulheres foram vencedoras, e que entre os 40 membros da Academia Brasileira de Letras, atualmente só cinco são mulheres (Rachel de Queiroz, a primeira a ocupar um dos postos, em 1977, só conquistou a cadeira 80 anos depois da criação da instituição).

 

(...) E, como era de se imaginar, as personagens dos livros refletem esse cenário: 60% das 692 histórias analisadas pela pesquisa são protagonizadas por homens, sendo 80% brancos e 90% heterossexuais. Vale notar que mulheres e homens negros são absurdamente sub-representados tanto quando olhamos para os autores (2%) quanto para as personagens (6%). Dentre as obras analisadas, apenas seis traziam mulheres negras como protagonistas e outras duas como narradoras.

  • Tópico Especial: A Estrutura das Bibliotecas SESC

As bibliotecas do Sesc são espaços preparados para leitores de todas as idades, com o objetivo de despertar o gosto pela leitura. Distribuídas por todo o país, contemplam um acervo de aproximadamente 2 milhões de exemplares, constantemente atualizado, composto por conteúdos variados e de qualidade: literatura nacional e estrangeira, clássicos da literatura mundial, livros de complementação escolar, textos não ficcionais e técnicos, periódicos, publicações especializadas em áreas como artes, antropologia e filosofia, entre outras. As unidades atuam de forma integrada, possibilitam consulta por meio físico e digital e oferecem empréstimo de livros ao público cadastrado. As bibliotecas do Sesc também são espaços de atividades culturais como cafés literários, saraus, festivais de leitura e poesia, feiras de livros, e contação de histórias.

Atualmente, a rede Sesc de Biblioteca/PE atende ao comerciário, dependente e comunidade em geral, oferecendo serviços em 16 Bibliotecas e 2 unidades móveis “BiblioSesc” (deslize para conferir as cidades). O melhor delas é que são abertas a qualquer cidadão local, que não somente podem utilizar para ler/estudar (para vestibular, concursos ou outros fins), mas ainda participar das atividades de incentivo à leitura e ao talento literário 😉! O PE Transparente visitou duas delas: as unidades de Goiana e Jaboatão - há ainda uma terceira na RMR, em São Lourenço da Mata, na primeira e na última, na verdade estruturas modernas e amplas, como parte de unidades especiais "Sesc Ler", que ainda desenvolvem atividades diversas educacionais, incluindo até mesmo alfabetização de jovens e adultos (EJA). Vale destacar que também possuem espaço infantil, para as crianças poderem aproveitar melhor! É possível fazer acesso à internet em computadores e agendar visitas.
 

  • Tópico Especial: A PPP Rota dos Coqueiros e Responsabilidade Social

A Rota dos Coqueiros é uma rodovia Estadual (PE 024) com 6,5 km de extensão que conecta o município de Jaboatão dos Guararapes ao bairro do Paiva, no Cabo. Uma via costeira que transita entre a pluralidade da vegetação nativa e promove um percurso rápido para os moradores e visitantes. A Concessionária (CRC) concebeu e sistematizou em 2011 o Programa Socioambiental Integrado da Rota dos Coqueiros. O Programa de Gestão Socioambiental tem como objetivo o desenvolvimento de práticas de gestão sustentáveis que visam desenvolver pessoas e comunidades como agentes de seus próprios destinos e do desenvolvimento sustentável. Os projetos contemplados fazem referência ao PGS (Programa de Gestão Social) e PGA (Programa de Gestão Ambiental) da Concessionária, previstos em seu contrato de concessão.

O Programa Rota Viva chegou com o intuito de realizar atividades socioambientais na construção de um território com integração e desenvolvimento junto aos moradores do entorno do sistema viário Rota dos Coqueiros, entre Jaboatão dos Guararapes (bairros de Barra de Jangada e Curcurana) e o Cabo de Santo Agostinho (Itapuama e Reserva do Paiva). Por meio do projeto Rota da Leitura, os integrantes da CRC e de organizações parceiras atuam como voluntários na contação de histórias para o público infantil. Também produzem audiolivros, que são disponibilizados às famílias dos alunos, além de serem um componente educacional para a grade curricular dessas crianças!

  • Tópico Especial: Inclusão de Deficientes 

A história dos livros para cegos no mundo começou praticamente junto com a invenção do Sistema Braille e foi uma revolução sem precedentes no processo de educação das pessoas cegas já visto no mundo. Com o objetivo de promover o acesso à leitura e informação para todas pessoas, a Fundação Dorina criou a Dorinateca, uma plataforma on-line que há 7 anos, diminui as barreiras entre os leitores com deficiência visual e as obras literárias. Com um acervo composto por mais de 5 mil títulos, dentre os quais estão obras literárias, edições da Revista Falada (publicação da Fundação Dorina) e dicionários da língua portuguesa, o serviço está disponível gratuitamente para pessoas físicas com deficiência e pessoas jurídicas que desenvolvem ações de leitura inclusiva. Além do Braille também, as pessoas cegas têm mais quatro alternativas para fazer uma boa e prazerosa leitura.

  • Tópico Especial: A contribuição da leitura para Ressocialização

O Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo: só perde para Estados Unidos, China e Rússia. A leitura é, sem dúvida, um caminho para o conhecimento e tem sido usada como estratégia na recuperação de presos no país. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou uma portaria que autorizava juízes a diminuir penas dos presidiários que escrevam sobre os livros que leem. Atualizada posteriormente por meio da Recomendação nº391 do CNJ, deve ser estimulada a remição pela leitura como forma de atividade complementar. Programas que incentivam o contato com os livros em troca da diminuição de pena estão presentes em alguns estados e Pernambuco é um deles. 

Abreu e Lima

A cidade possui 100.346 habitantes. Não possui um Plano Municipal de Cultura. Com histórico de gestões fracas e pouco abertas à participação da sociedade, o município tem poucas opções de equipamentos culturais. Recebeu privilegiadamente em 2018, todavia, a sede do segundo Centro Poliesportivo e de Lazer do Sesc em Pernambuco, além de ter como principal catalisador de ensino musical um projeto empreendido por um filho da terra, o abreulimense e renomado Maestro Spok. São duas fontes que desde instituídas, colocaram a cidade no mapa das que, na RMR, irradiam eventos culturais impulsionadores de cidadania.

 

No campo da literatura, entretanto, não possui projetos permanentes de repercussão e permanentes instituídos pelo governo municipal. Para incentivar o hábito da leitura entre crianças, jovens e adultos que frequentam a Praça São José, estudantes do novo Instituto Federal de Pernambuco, Campus Abreu e Lima realizaram, em 2019, o Projeto Biblioteca na Praça. Na ocasião, a iniciativa teve o 'apoio cultural' da Prefeitura de Abreu e Lima, através da então Secretaria de Turismo e Cultura.

| Perfil da Biblioteca Municipal

[Não Possui]

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| Perfil da Biblioteca do IFPE

Completando seis anos de existência da unidade (em 2022), desde 2019 a Biblioteca do IFPE ganhou espaço na cidade, com a inauguração da sede definitiva do Campus Abreu e Lima. A maior parte acervo é composta por livros técnicos concernentes aos cursos regulares ofertados, mas também livros literários e sobre muitos outros assuntos, como em disciplinas de concursos e vestibulares. Aberta à população, os usuários da comunidade em geral podem utilizar as salas de estudo para consultar internamente as obras do acervo, com catálogo disponível on-line.

Contatos

Rua Jaguaribe, s/n - Alto Bela Vista, Abreu Lima (às margens da BR-101, ao lado do Mercado Público  |  🕗 7h30 às 15h30 (seg/qua/sex) e 7h30 às 18h30 (ter/quintas) • Telefone: Lista de WhatsApps | E-mail: biblioteca@abreuelima.ifpe.edu.br | Instagram Oficial

ifpeabreuelimaperfil

| Infraestrutura dos Projetos Comunitários

O EducAbreu é um projeto de educação popular realizado no município de Abreu e Lima, região metropolitana de Recife.