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Ativismo que Transforma | A importância da Visibilidade Midiática dos (d)'Eficientes'!

O Pernambuco Transparente, projeto que há mais de 3 anos ajuda a promover a transparência e integridade públicas a partir de um foco metropolitano, inicia a abertura de seu blog como um canal para divulgação de atuações compromissadas e referenciais no estado com o propósito de desenvolvimento da cidadania: contribuição que também temos como objetivo. O Acesso à Informação, mais do que um direito que consagra o alcance de qualquer cidadão a dados por natureza públicos, é igualmente essencial para o aprimoramento do controle social estabelecido na Constituição Federal (reforçado com a Lei de Responsabilidade Fiscal e a recente Lei de Defesa do Usuário de Serviços Públicos). O avanço desta cultura é a base de uma nova cidadania, que desejamos incentivar, na busca de um progresso mais justo e sustentável.


Por entendermos esse importante papel e seu caráter transversal para o impulsionamento da qualidade de políticas públicas, estamos em constante diálogo com outros movimentos da sociedade - e além da postura que já adotamos de divulgar suas experiências em nossas redes sociais, intensificamos agora por meio de nosso portal. As iniciativas serão apresentadas por seus próprios criadores, nas suas próprias palavras. Caso deseje ter a história da sua luta aqui é só entrar em contato!


Na nossa segunda publicação, conheça a atuação da Eficientes. uma organização de Jornalismo Independente, que tem como missão abordar a inclusão da pessoa com deficiência na sociedade a partir de diversas perspectivas, levando informação acessível e de qualidade para PCDs através de uma compreensão especializada. A linha editorial está ligada aos dezessete Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas, em especial o Objetivo 4 (Educação de qualidade), o 10 (Redução das Desigualdades) e 11 (Cidades e comunidades sustentáveis).


Jornalistas defendem e ampliam cobertura midiática para Deficientes

Seus espetaculares editores ainda palestram em unidades de ensino e eventos jornalísticos, promoveram debates com candidatos nas eleições sobre propostas relacionadas ao público em questão, e até mesmo realizaram há pouco o 1º Encontro Internacional: 'Inclusão como Estratégia de Inovação'. Um maravilhoso acervo de vídeos pode ser encontrado no Youtube oficial. Com uma bagagem de mais de 3 anos, são vozes pernambucanas de referência na defesa da inclusão, em um estado em que quase 30% da população apresenta algum tipo de deficiência, segundo dados do IBGE e Relatório de Frente Parlamentar na ALEPE.



 

Por Larissa Pontes

Co-fundadora do Eficientes, Jornalista, Pós-graduada em Jornalismo Independente e Gestão de Negócios.


A invisibilidade midiática e educacional


Há 41 anos, foi criado o movimento da pessoa com deficiência no Brasil, com o objetivo de lutar pelos seus direitos, inserção no mercado de trabalho, respeito e participação social. Uma de suas primeiras conquistas foi por meio da Constituição de 1988, que passou a garantir os direitos das pessoas com deficiência: como a lei de cotas e reconhecimento da língua brasileira de sinais.


Atualmente, existem 45 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, representando 24% da população, mas existe uma invisibilidade para essa causa tão importante. A mesma também está ligada a outras causas sociais como feminismo, combate a LGBTQI+fobia, e o movimento negro. Mas já parou para pensar porque essa invisibilidade acontece?


Porque desde a idade antiga as pessoas com deficiência eram vistas como pessoas que deveriam ser extintas, castigadas por Deus, dignas de piedade, e muitas vezes acabavam sendo mortas. Essas visões se repercutiram por muito tempo e ainda percebemos essa visão preconceituosa, que denominamos de Capacitismo, um termo utilizado para discriminar, oprimir ou diminuir as pessoas com deficiência.


Durante o mês de agosto de 2021, Milton Ribeiro, o Ministro da Educação, fez várias afirmações discriminatórias que as pessoas com deficiência atrapalham o ensino nas escolas. Nas redes sociais diversas pessoas com deficiência, apoiadores da causa, especialistas na área, familiares e amigos, se reuniram para repudiar tal discurso. Mas será que é suficiente? Esse exemplo de fala significa um retrocesso nos esforços das pessoas com deficiência, que lutam todos os dias pela inclusão na sociedade em vários âmbitos. A inclusão acontece quando pessoas com deficiência e sem deficiência estão convivendo em conjunto. O educador Paulo Freire evidenciava: "A inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades”.


O retorno da criação de espaços que separam pessoas com e sem deficiência, não incentiva o aprendizado, respeito, e convívio entre as diferenças. Por muitos anos as pessoas com deficiência eram escondidas da sociedade, viviam dentro de casa ou trancadas em quartos. Essas atitudes e comportamentos refletem muito na realidade das pessoas com deficiência no presente. É de grande importância essa convivência para que sejam quebrados preconceitos, e o respeito entre as pessoas seja estimulado.


Ao mesmo tempo que o Ministro da Educação fazia essas afirmações, se iniciava as paralímpiadas de Tóquio. O Brasil levou 259 atletas paralímpicos, que participaram de 20 das 22 modalidades, batendo diversos recordes olímpicos. Nessas duas semanas de paralimpíadas, fomos capazes de não olhar para a deficiência, mas sim para as capacidades, as habilidades, e também conhecer os esportes e suas funcionalidades. O Brasil ficou entre os dez primeiros países, com total de 72 medalhas, atingindo a sétima posição.


Porém, quando avaliamos a fundo, ainda percebemos a falta de visibilidade das Paralimpíadas. Podemos destacar vários pontos: nas Olimpíadas a federação de atletas do Brasil levou 302 atletas, que receberam 21 medalhas em 20 dias, para as Paralimpíadas a federação levou 259 atletas, que receberam 72 medalhas em 13 dias. Um outro aspecto bem crítico é o valor das medalhas, enquanto atletas nas olimpíadas receberam 250 mil nas medalhas de ouro, 150 mil nas medalhas de prata e 100 mil nas medalhas de bronze, nas Paralimpíadas chegaram a ganhar 36% a menos, levando 160 mil nas medalhas de ouro, 64 mil nas medalhas de prata e 32 mil nas medalhas de bronze.


Na cobertura da mídia das Olimpíadas, a Rede Globo, que é o canal responsável pela transmissão, disponibilizou o canal da TV aberta, quatro canais do Sportv, e o Globoplay. Com coberturas exclusivas e mais 840 horas de transmissões. Já nas Paralimpíadas, o canal da Tv aberta fez um compacto da abertura e de alguns jogos, enquanto o Sportv disponibilizou um canal para as coberturas que teve só 100 horas de transmissão.


Baseados nessas análises vimos como as barreiras são colocadas para que as pessoas com deficiência não tenham acesso à educação, esportes e informações. Esses costumes da sociedade são atos excludentes e que só reforçam os preconceitos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, averiguou o acesso às tecnologias da informação e comunicação, registrando que 63,1 milhões de domicílios tinham televisão com conversor para receber o sinal digital de televisão aberta (89,8% dos domicílios). Já a TV por assinatura, alcança a 30,4%. Isso quer dizer que 44 milhões de brasileiros ficaram sem acesso à cobertura das paralimpíadas.


A representatividade é um dos primeiros passos para combater o preconceito, com a constatação de que não há visibilidade para as paralimpíadas, ou não é promovida uma educação inclusiva, estamos desvalorizando a capacidade das pessoas com deficiência e reforçando os preconceitos. Por isso é de grande relevância que a televisão aberta levante essas pautas, para que a sociedade quebre paradigmas e tenha acesso às informações.


 

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