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Projetos Musicais RMR e Goiana

 

A música sempre esteve presente na história da humanidade, sendo uma de suas mais antigas formas de manifestações artística e exerce uma profunda influência nos seres humanos, tendo papel importante em diversos âmbitos, como na política, na psicologia, na comunicação, nas artes, nas diversas ciências, entre outros. Além disso, sua presença no cotidiano da população é relevante para definir os gostos, as preferências e a expressão cultural de um povo. Erika Ribeiro, doutora em Música pela UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), comenta que “a música é um elemento que recorda a nossa essência e, por isso, em nosso cotidiano, nos remete a um pertencimento”. 

Diversas pesquisas mostram que a música no cotidiano das pessoas contribui para o desenvolvimento de raciocínio, promove o equilíbrio e proporciona uma sensação de bem-estar. Ela também faz parte da expressão artística dos indivíduos, já que ao aprenderem um instrumento, eles podem ser transformados socialmente por ela, como explica Erika: “Todo tipo de conhecimento transmitido com respeito em relação ao outro proporciona uma expansão de fronteiras internas que permite de fato uma ampliação de atuação do indivíduo na sociedade. O aprendizado de música fortalece, assim, a autoestima, e estimula a interação entre as pessoas, o que pode auxiliar em uma transformação importante em termos sociais”.

Em 1º de outubro comemora-se o Dia Internacional da Música. A data foi instituída em 1975 pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) com o objetivo de promover a paz e a amizade entre os povos por meio da música. No Brasil, o reconhecimento do papel da música na educação foi reconhecido e tornado política pública na educação básica através de lei apenas em 2008. Apesar disso, ainda segue com poucos quadros e infraestrutura, tendo se efetivado minimamente em nosso estado apenas através de concertos-aula, iniciativas pontuais em escolas (principalmente estaduais) e algumas parcerias em cidades com projetos da sociedade já renomados - como é o caso da cidade de Goiana, única na Mata Norte, detentora das duas bandas mais antigas não só locais, mas de toda a América Latina.

A fragilidade de dos sistemas de cultura ainda se faz fortemente perceptível, com conselhos e mecanismos de incentivo pouco consolidados, além de impactantes casos de corrupção, como o recentemente denunciado de compra de centenas de instrumentos pela Prefeitura do Recife alvo de investigações. Apesar de tudo, o esforço persistente na capital pernambucana conseguiu a conquista do título de cidade da Música, em 2021 (pela Unesco), gerando a participação, com outras 295 cidades ao redor do mundo igualmente classificadas, em uma Rede de Cidades Criativas internacional. Hoje, celebramos esta data em todo o planeta com diversas iniciativas, como homenagem a arte que mais une as pessoas, sem preconceito, tornando-as um só. Na entrevista abaixo, o professor especializado Jobert Gaigher explica brevemente a história da educação musical e sua institucionalização.

Breve História da Educação Musical,  de Jobert Gaigher

Desafios para 2021/2022, Pós-Pandemia

 

"Sem a música, a vida seria um erro", sentenciava um dos maiores filósofos da História, Friedrich Nietzsche (1844-1900). Um outra grande personalidade, o escritor espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616), vai além: "Onde há música não pode haver maldade". Mais do que uma expressão individual ou coletiva, a música é alívio ao sofrimento humano, é redenção. Portanto, o principal é desafio é: como ampliar e democratizar o acesso máximo às iniciativas existentes?

 

Além de apenas iniciação musical, a sociedade, por suas carências sociais, acaba por precisar de incentivos adicionais para permanecer inserida no ambiente - ou seja, mais do que somente pensarmos as dinâmicas de ensino em si, é necessário pensar os contextos dos estudantes. No cenário de fragilidades sociais diversas e ainda elevados indicadores de violência, a maioria dos projetos encontrados em nossa região metropolitana e Goiana (uma área onde residem quase pouco menos da metade da população pernambucana) servem ainda como fontes essenciais de transmissão de aspectos elementares de cidadania, fomentando o desenvolvimento de jovens, garantindo a redução de riscos de inserção no universo das drogas, além de compreensão e acesso à direitos, elevando a qualidade de vida em geral. Apoiados, por vezes, pelos governos locais, pode ser responsável por encaminhar ainda as denúncias recebidas aos agentes públicos dentro de suas estruturas, para prestação de informações e, quando necessário, apuração de condutas apontadas nas manifestações recebidas. 

A Orquestra Criança Cidadã, um projeto social da Associação Beneficente Criança Cidadã que visa a fomentar a inclusão social de crianças e adolescentes por meio do ensino da música, celebrou, em julho de 2021, 15 anos de existência. Neste ano comemorativo, um dos presentes recebidos pela Orquestra foi a renovação de seu contrato de patrocínio com a Caixa Econômica Federal, sua patrocinadora máster. São 12 anos ininterruptos de uma parceria institucional bem sucedida, que agora abraça, também, o projeto da Escola de Formação de Luthier e Archetier, a primeira do Estado de Pernambuco e uma das poucas do país que oferecem profissionalização na área. Ao longo de três anos de curso, os alunos da Escola, que são moradores de diversos pontos da Região Metropolitana do Recife, aprendem a construir arcos e instrumentos de cordas, como violinos e violas.

Estruturar bem o financiamento é indispensável e primordial inclusive para permitir a ampliação, conforme explica o coordenador geral e idealizador da Orquestra Criança Cidadã, João Targino, “a parceria com a Caixa tem tido o caráter de não só manter o projeto, mas de ajudar a fazer com que o nosso mote, ‘construindo sonhos, transformando vidas’, possa ser concretizado. Tal patrocínio é imprescindível para nossa manutenção e nós o temos como algo sagrado”. Atualmente, a Orquestra atende gratuitamente a 400 jovens (250 no Coque, 120 no Ipojuca e 30 em Igarassu), entre 06 e 21 anos. O programa conta ainda com apoio pedagógico, atendimento psicológico, médico e odontológico, aulas de inclusão digital, fornecimento de três refeições por dia e fardamento. Outros desafios básicos seguem nos tópicos adiante:

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 Modelo de excelência, Orquestra Criança Cidadã renovou convênio com a CEF pelo 12º ano (registro oficial visita técnica, dezembro 2020).

  • A influência do ambiente impacta diretamente o contexto social e profissional das crianças. E esse é um dos objetivos dos projetos: o aprimoramento da cidadania

A missão de todas as ouvidorias públicas é, por essência, promover o acolhimento dos cidadãos, e também de servidores, reconhecendo-os como detentores de direitos e defendendo seus legítimos interesses perante a instituição. A humanização tem como objetivo criar uma nova cultura institucional, que possa instaurar padrões de relacionamento ético entre gestores, técnicos e usuários e oportunizar um atendimento mais personalizado. Para isso, é necessário proporcionar um ambiente de fácil acesso e presteza dos serviços: atentar à acessibilidade, sinalização e horário amplo de atendimento (inclusive intervalos de almoço, para viabilizar a procura em tempo livre), assim como a qualidade das instalações e equipamentos (é fundamental oferecer conforto, privacidade, presença de banheiro).

O lema da Orquestra Criança Cidadã – construindo sonhos, transformando vidas – faz parte, atualmente, da vida de 360 alunos das localidades do Coque (Recife), Camela (Ipojuca) e Chã de Cruz (que estudam em Igarassu). Escolhemos a história de três deles para mostrar como vivenciamos nossa missão, nossa visão e nossos valores. Com vocês: Jean Guimarães (Chã de Cruz), Jhorsily Átila (Camela) e Micaele Cristina (Coque).

  • Estruturar o atendimento presencial para possibilitar um espaço de acolhimento e atendimento humanizado, baseado nas necessidades

Na OCC, os alunos permanecem no projeto por um período de quatro horas por dia, no contraturno escolar. Entre as atividades extracurriculares oferecidas, estão, além de cursos em parceria com universidades, intercâmbios para a Europa e América do Norte, direcionados aos alunos de destaque. A Orquestra também garante a profissionalização dos alunos através da Escola de Formação de Luthier e Archetier, onde os alunos aprendem a arte da construção e reparo dos instrumentos de cordas e seus respectivos arcos. O programa, em funcionamento desde 2006, visa ao resgate social de crianças carentes através da música e partiu de um dos bairros mais violentos e de menor Índice de Desenvolvimento Humano do Recife: o Coque.

  • Diversificar formas de alcance e quebrar noções limitadoras: Re-Imagine um mundo conectado pela Música

Playing for Change é um movimento criado para inspirar e conectar o mundo através da música, nascido do ideal de que a música tem o poder de romper fronteiras e superar distâncias entre as pessoas. O foco principal é gravar e filmar músicos que atuam em seus ambientes naturais (metrôs, praças, ruas, entre outros) e combinar seus talentos e poder cultural em vídeos inovadores que chamam de "Músicas ao redor do mundo" (Songs Around the World). Produtor premiado de um Grammy Award e co-fundador, Mark Johnson gravou e filmou música em mais de 60 países e dedicou a sua vida a ligar o mundo através da música - conheça mais a respeito através da entrevista a seguir.

A Força dos Festivais

Com atrações com grande poder de concentração de público, Pernambuco conta com duas magníficas fontes de formação e familiarização da população com a música erudita e popular - ambos com mais de 15 anos completados. O Festival Virtuosi é o principal evento de música erudita em Pernambuco. Já o MIMO, realizado em cidades históricas do Brasil e da Europa desde 2004, ocupando espaços do patrimônio histórico e totalmente gratuito (foi assistido por um público de 1,85 milhão de pessoas e realizou mais de 500 concertos com grandes artistas e talentos que se firmaram) teve Olinda como berço e se projetou. Com um custo variável entre R$ 2 milhões e R$ 2,5 milhões por edição, o projeto por pouco não foi inviabilizado em 2015 por falta de recursos. Esse, além dos debates do Fórum de Ideias e os workshops sobre a questão do áudio em produções musicais e as técnicas utilizadas em shows, festivais e gravações sem plateia, até mesmo transcende a música e contribui para capacitação também no cinema, exibindo uma seleção de filmes com temática musical: com o Mercado Eufrásio Barbosa reformado, seu Teatro Santa Cruz passou a ser utilizado também para o Festival Mimo Cinema.

Em 2018, nasceu na capital o Circuito Aurora Instrumental, como o espaço legítimo da música instrumental no Recife, com a proposta de valorizar os artistas de vanguarda da música instrumental assim como os jovens talentos de alta qualidade técnica, e que estão ativos em seus respectivos processos criativos. Aurora é paisagem e geografia da capital pernambucana, e também é o nome da tradicional rua do Centro do Recife, paralela ao Rio Capibaribe, e o endereço do Teatro Arraial Ariano Suassuna, local  onde ocorreram todos os 20 espetáculos musicais da primeira edição do Circuito - dividido em duas temporadas. O evento, contemplado pelo Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), busca se posicionar como importante palco de expressão da diversidade, tradição e renovação da música instrumental e propõe o encontro do público com músicos e grupos instrumentistas de alta qualidade técnica e artística (a Edição Especial 2021, aprovado pela Lei Aldir Blanc, aconteceu de modo online com exibição ao vivo através do canal do Youtube).

Outros festivais, embora não tenham esse universo como substância, somam esforços no sentido de ampliar a descoberta e a valorização de artistas da terra, como o Coquetel Molotov (já em sua 18ª edição). O evento também realiza o Coquetel Molotov Negócios, braço que tem foco na profissionalização da cadeia artística e musical. A capital ainda desfruta do projeto itinerante Som na Rural.

Educação Musical nas Escolas

O Brasil possui uma riqueza cultural e artística que precisa ser incorporada, de fato, no seu projeto educacional. Isso só acontecerá se escola e espaços que trabalham com educação começarem a valorizar e incorporar, também, ao seu contexto de vivências. A lei federal 11.769, de 2008, determina que a música deve ser conteúdo obrigatório em toda a educação básica. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB desvinculou a educação regular do ensino profissionalizante e o MEC criou o Programa de Expansão da Educação Profissional - PROEP, com vistas a implementar as reformas da educação profissional no Brasil.

A partir dessa normatização, a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco, e a atual Presidência do CPM, conseguiram a aprovação do MEC para um projeto que faz do Conservatório Pernambucano de Música - CPM, um dos Centros de Educação Profissional do Brasil na área de música, oferecendo cursos em todos os níveis: da iniciação ao curso técnico de música. Planejar, gerir e executar políticas públicas e respectivas atividades de ensino, pesquisa, promoção e difusão da Música do Estado de Pernambuco; objetivando a valorização da cultura, excelência na formação de profissionais e sendo agente para o desenvolvimento social através da arte musical. Uma missão firmada no decreto 30.362, de 17 de abril de 2007, que aprova seu regulamento, e o consolida como um polo de estímulo à arte musical, de avanço tecnológico e de mudanças nas relações do trabalho, projetando-se como referência nacional na educação musical.

Entre os benefícios de promover educação musical na escola, as habilidades musicais fazem os estudantes melhorarem o desempenho também em outras disciplinas. Cabe reforçar que é uma das linguagens universais, que se traduz em diferentes formas sonoras, capazes de expressar e comunicar sensações e pensamentos ampliando a capacidade sensorial dos estudantes amplamente. Aqui o objetivo não é formar músicos (o que pode ser feito em outros espaços depois de serem despertados): as aulas de música, em uma sala com isolamento acústico e repleta de instrumentos de sopro, corda e percussivos, ajudam a desenvolver habilidades de concentração e disciplina que possibilita escutar e assimilar melhor outras vivências e conteúdos, e são também um momento de lazer para os estudantes - para os alunos que residem em localidades com altos índices de violência ou precariedade urbanística especialmente, é um ambiente que contribui para aliviar tensões levadas à escola.

O CPM possui um corpo docente formado por 167 professores que ministram cursos regulares (iniciação musical, preparatório e curso técnico) e cursos de extensão para cerca de 2 mil estudantes, certificando seus formandos há muitos anos. Os cursos técnicos profissionalizantes, com certificação nacional por serem reconhecidos pelo MEC, são nas áreas de Instrumento, Canto e Regência. Já para os iniciantes, a unidade oferece cursos de canto erudito, cordas dedilhadas, bandolim, cavaquinho, contrabaixo elétrico, violão popular e violão erudito, cordas friccionadas: contrabaixo acústico, violino, viola e violoncelo, percussão (bateria, percussão erudita e percussão popular), piano (erudito, popular e teclado), clarinete, fagote, flauta (doce e flauta transversa), saxofone, trombone, trompa, trompete.

 “Especial 90 anos do CPM”, agosto 2020.

  • A estruturação em nível municipal

Apesar de a lei federal 11.769, de 2008, estabelecer a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas de educação básica, nem todas as escolas públicas do estado oferecem o conteúdo no currículo. Não há professores suficientes para essa implementação. No entanto, é possível, apesar disso, executar programas estratégicos. A Prefeitura do Paulista chegou a apostar na música para despertar talentos e promover a cultura de paz nas escolas, oportunizando em 30 unidades (quase metade do total existentes) da rede municipal do município alguns concertos aula. O concerto tem como objetivo desmistificar o universo da música clássica para as crianças, ao mesmo tempo em que as sensibiliza para a importância da educação musical. Um exemplo de como começar, mesmo sem ter condições para a universalização de eventos ou até o ensino de instrumentos.

 

Em Goiana, a Prefeitura mantém parcerias com as bandas centenárias locais para desenvolvimento de projetos com os estudantes, e em Recife, o programa Palavra Cantada capacitou os professores de toda a rede municipal para abordarem o ensino musical em atividades cotidianas.

O papel do poder público não é apenas normativo, mas deve criar programas para habilitar professores para o ensino de música na educação básica, como está previsto pela legislação educacional”, enfatiza o professor do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), João Cardoso Palma Filho. 

  • A educação musical eleva a compreensão e envolvimento com a cultura local. Esse viés também pode  ser abarcado no processo pedagógico

Ao estimular nos estudantes habilidades que o ajudarão a ter curiosidade por diversas culturas e a criar possibilidades de ação em busca de um mundo melhor. O Laboratório de Educação das Relações Étnico Raciais (Laberer/UFPE), através do Projeto de Extensão: Música e Arte Afrocentrada, traz para o centro do debate em live os saberes da Ciranda e de Lia de Itamaracá para a Educação Escolar, confira abaixo.

Panorama Metropolitano + Goiana

O acervo oportunizado nesta parte propõe-se a auxiliar a compreensão da trajetória das nossas iniciativas locais metropolitanas, promovendo a coleta, organização, e socialização da memória institucional, pois possuem vasta experiência de atuação com as comunidades do entorno, formando jovens, transformando-os em músicos profissionais dos mais diversos instrumentos musicais, projetando talentos da música para todo o estado, contribuindo também diretamente para a preservação e difusão das expressões artístico-culturais do universo da música - o que rendeu inclusive o título de Patrimônio Vivo Cultural pelo Governo de Pernambuco a alguns dos mais consagrados e antigos, como as bandas centenárias de Goiana. No repertório, músicas clássicas e populares.

 

Em âmbito federal, a OGU já possui um normativo estabelecendo critérios para nomeações, e que deveria servir de guia para adoção de parâmetros semelhantes em nível local. No estado, a Ouvidoria do Governo Estadual é referência nesse aspecto desde 2013, a partir do Decreto Estadual nº 39.675/2013, que estabeleceu como requisitos não só o devido conhecimento técnico para o exercício da função (normas e legislação), como ser servidor efetivo e a obtenção de certificação oficial em capacitações especializadas oferecidas tanto em nível estadual como nacional. 

A Orquestra Criança Cidadã vem, a cada ano, se projetando cada vez mais como um programa social exemplar. Em seus quase 15 anos de existência, recebeu mais de 30 prêmios, incluindo o Prêmio Caixa Melhores Práticas em Gestão Local, de âmbito nacional. Na esfera internacional, a Organização das Nações Unidas escolheu a Orquestra como uma boa prática de inclusão social, em dezembro de 2010. E, em 2015, tornou-se a primeira escola de música das Américas e a segunda do mundo a fazer parte do Programa de Escolas Associadas da Unesco.

Além das condições de infraestrutura e patrocínios previstos para funcionamento, bem como os canais adotados para atendimento (com meios de contato à disposição), apresentamos também o perfil dos iniciativas. Os comentários sobre condições decorrem de conteúdos dos websites oficiais da Secretaria de Cultura Estadual e dos próprios projetos, compartilhados até nas redes sociais, e que acabam por refletir a presença ou falta de recursos para sua atuação. A referência utilizada para o quantitativo populacional ajuda a entender o porte e abrangência de atendimento, com uma estimativa de 2020 do IBGE, assim como a importância de atrelar a uma política da educação municipal, considerando os indicadores do IDEB. Infelizmente, são ainda praticamente inexistentes ou sem qualquer publicidade na região oeste da RMR e Itamaracá, por isso, sem descrições (caso conheça algum, não deixe de entrar em contato!).

 
  • Tópico Especial: Integração Local

Uma forma de dar ênfase ao entrosamento e criação de processos de integração regional são encontros entre cidades vizinhas, impulsionando um ecossistema de inovação fundamentado em características e peculiaridades geográficas e da infraestrutura, fortalecendo as capacidades dos participantes com a troca de experiências e até acordos de cooperação (convênios). Em outubro de 2021 foi realizada a XIII Copa Pernambucana de Bandas e Fanfarras, promovida pela Confederação Nacional de Bandas e Fanfarras (CNBF), organizada pela Associação de Bandas e Fanfarras e Regentes de Pernambuco (Abanfare) com o apoio da Secretaria de Educação e Esportes (SEE). O evento, que acontece na quadra da SEE, na Várzea, contou com um segmento apenas para a Grande Recife, com as Gerências Regionais de Educação (GRE) Recife Norte e Recife Sul, teve 9 etapas, e as categorias Fanfarra Simples; Percussão Rudimentar; Percussão Sinfônica; Marcial Infanto Juvenil; Musical Máster; Marcial Juvenil e Marcial Máster, com 179 agremiações participando da Copa ao todo, incluindo as demais regiões do estado. A íntegra pode ser conferida no canal da Abanfare no Youtube.

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Ocasiões festivas podem proporcionar também momentos de encontros inesquecíveis: em 2019, no Cais da Alfândega, no Recife Antigo, tivemos um para marcar a história. O maestro e pianista João Carlos Martins se apresentou junto a 150 crianças e adolescentes de quatro projetos sociais da nossa RMR: regendo em minutos mágicos, a Orquestra do Movimento Pró-Criança (Unidade Recife Antigo), a Orquestra Social Dom João Costa (do Colégio Damas, também do Recife), a Banda Musical Curica (com incríveis 66 representantes), de Goiana e o Coral do Instituto Passo de Anjo, de Abreu e Lima. A ação (em registro abaixo de Felipe Ribeiro, JC) fez parte do projeto Orquestrando o Brasil, criado por Martins em 2018, que capacita músicos e regentes de ações comunitárias pelo país. A iniciativa segue uma ideia do compositor Heitor Villa-Lobos (1887-1959), um dos maiores expoentes da música clássica nacional: unir o Brasil em um só coração através da música e a crença de que a maior riqueza que um país pode exportar é a cultura. Foi a primeira vez que tocaram juntos. Os eventos contaram com a promoção da Fundação Banco do Brasil e do SESI/SP e FIESP, e local pela Prefeitura do Recife (via Fundação de Cultura).

A Curica tem o dobro da idade desse velho maestro. Então o que eu posso dizer? Que é um orgulho conhecer Curica, a banda mais antiga do nosso Brasil”, homenageou o maestro João Carlos Martins.

Maestro João Carlos Dias Martins - Concerto Recife - Orquestrando o Brasil
  • Tópico Especial: Presença e Liderança Feminina

As iniciativas referenciais na construção de equidade de gênero no estado foram bem descritas e esclarecidas em artigo especial do Dr. Climério de Oliveira Santos (doutor em Etnomusicologia pela UNIRIO, músico, compositor, pesquisador e professor no Conservatório Pernambucano de Música) para a Revista Continente, em 2018. Reproduzimos alguns trechos abaixo, destacando que a íntegra traz mais aspectos interessantes:

 

"Não é de hoje que as mulheres participam ativamente do frevo. Nos blocos líricos, o canto é tradicionalmente executado por um coro de mulheres. Também a organização e a administração de muitas agremiações são lideradas por elas e um exemplo é o Bloco da Saudade, que tem à frente a dedicada Izabel Bezerra, cantora e dirigente. Diversos grupos baseados em frevo-canção têm a marca da voz feminina: Elba Ramalho e Nena Queiroga estão entre outras, não tão famosas, mas exímias cantoras de frevo. Atualmente, há várias orquestras de frevo que contam com mulheres nos seus quadros e algumas delas são compostas exclusivamente por mulheres.

As primeiras orquestras femininas de frevo são criações recentes. De pouco mais de uma década para cá, mulheres vêm driblando as dificuldades, superando o machismo e construindo as suas trajetórias nesse campo tradicionalmente masculino. Os dois grupos marcantes do cenário atual são a Orquestra 100% Mulher, fundada pela maestrina Carmen Pontes, e a Orquestra Só Mulheres, com a maestrina Lourdinha Nóbrega, que exibe na própria marca o nome da mulher que a fundou e lidera há 15 anos. 

Carmen Pontes nasceu em Paulista, cidade da Região Metropolitana do Recife (RMR). Quando adolescente, estudou na escola pública Cônego Jonas Taurino, no Bairro de Peixinhos (Olinda), onde frequentou um curso técnico de música, habilitou-se em clarinete e integrou o grupo musical da escola, a Banda Sinfônica Juvenil de Pernambuco. Tal iniciação nos dá uma noção da importância do ensino-aprendizagem de música nas escolas públicas. Alguns anos depois, Carmen foi aprovada num concurso público e passou a tocar na Banda Municipal de Jaboatão dos Guararapes (RMR). Mais tarde, ingressou na Banda Sinfônica do Recife. Ela cursou Regência no Conservatório Pernambucano de Música cursa Licenciatura em Música e Pós-Graduação em Fonoaudiologia, outro campo em que atua profissionalmente. 

Eu ficava olhando e dizendo assim: ‘por que não tem uma mulher sequer nas orquestras de frevo? Só tem homens!’”. Carmen fundou o Quarteto Lá Menor, um grupo feminino de clarinetistas que logo entrou em dificuldades e se desfez. Em vez de desistir, ela ampliou o objetivo: passou a procurar mulheres jovens instrumentistas na capital e no interior de Pernambuco. E, assim, no ano de 2003, ela e as suas convidadas estrearam a orquestra de mulheres, ainda sem nome. 

Entre as participantes da Orquestra 100% Mulher, uma nutriu o sonho de criar sua própria orquestra: Maria de Lourdes Carneiro da Nóbrega. Muito antes disso, aos 9 anos de idade, Lourdinha tomou parte de uma fanfarra, que passaria a ser a Banda Filarmônica da Escola Estadual Candido Duarte (Recife). Mais tarde, ingressou no Conservatório Pernambucano de Música, em que se aprimorou com um clarinetista, o Prof. Jônatas Zacarias. Sucessivamente, estudou e/ou tocou em grupos de várias outras instituições. Em todos esses grupos, ela manteve contato com o frevo, o que foi intensificado quando ingressou na Orquestra Popular do Recife, dirigida pelo maestro Ademir Araújo (maestro Formiga), uma das raras orquestras de frevo que tinha mulheres no seu elenco.

O interesse de Lourdinha Nóbrega em constituir um grupo só de mulheres ocorreu desde 1999, ano em que ela criou o Pérola Negra, quarteto de saxofonistas que atua ainda hoje. A inspiração do nome revela comprometimento pessoal e político: “Criei este nome porque o quarteto é formado por mulheres e somos todas amigas fiéis de muitos anos. Então, somos pérolas umas das outras, e somos negras”.

(...)

Além do frevo, as orquestras femininas tocam outros gêneros musicais, em diferentes ocasiões ao longo do ano. A flexibilidade do instrumental é apontada pelas maestrinas como um aspecto importante para a viabilização de suas orquestras. Portanto, além de frevo, as orquestras femininas tocam forró, bolero, rumba, samba, funk, sertaneja e músicas pop de várias matrizes. Em síntese, elas trabalham sob demanda, principalmente nas festas privadas. Outro modo de desenhar a diferença é no visual e na interpretação. As duas orquestras femininas exibem figurinos elaborados (bem acima da média das orquestras itinerantes) e renovados a cada ano.

 

As orquestras de mulheres impactaram o mercado e o significado do frevo. As duas passaram a ocupar espaços em Pernambuco, a animar bailes nas prévias carnavalescas do Recife e Olinda, a acompanhar blocos, troças e artistas na capital e em cidades do interior, a se apresentar em festas institucionais e particulares, além de participar de eventos em outros estados brasileiros. A Orquestra 100% Mulher vem acompanhando o Galo da Madrugada e, há mais de 10 anos, e o Bloco Nem Com Uma Flor (organizado pela Secretaria da Mulher, Prefeitura do Recife), que arrasta uma multidão e cujo principal objetivo é promover o combate à violência contra a mulher."

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  • Tópico Especial: Inclusão de Deficientes

O projeto Som da Pele, criado em 2009 pelo professor de música Irton Silva promove algo que para muitos é impensável: o ensino de música para deficientes auditivos. Por meio de sequências de luzes, os alunos aprendem ritmos como frevo, ciranda e maracatu.

Abreu e Lima

A cidade possui 100.346 habitantes. Com histórico de gestões fracas e pouco abertas à participação da sociedade, o município tem poucas opções de equipamentos culturais. Recebeu privilegiadamente em 2018, todavia, a sede do segundo Centro Poliesportivo e de Lazer do Sesc em Pernambuco, além de ter como principal catalisador de ensino musical um projeto empreendido por um filho da terra, o abreulimense e renomado Maestro Spok. São duas fontes que desde instituídas, colocaram a cidade no mapa das que, na RMR, irradiam eventos culturais impulsionadores de cidadania.

| Perfil da Iniciativa de Referência

O Instituto Passo de Anjo, na cidade de Abreu e Lima, cidade natal do Maestro Spok, compositor de frevo e coordenador do projeto, desenvolve ações sociais por meio de linguagens artísticas e aulas de formação, capacitação e empreendedorismo em música, dança e teatro. Criado em 2016, o Instituto atende 173 crianças e adolescentes e tem ajudado a transformar vidas de crianças a partir de 7 anos de idade que se encontram em situação de vulnerabilidade social na comunidade do Fostato e adjacências. O Coral teve início em 2017 e hoje conta com 40 integrantes. Uma equipe técnica pedagógica e de educadores sociais acompanha as atividades. 

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| Infraestrutura do Projeto

O projeto visa a ampliação das atividades, com maior número de atendimentos, ações de formação e capacitação, além de cursos e oficinas culturais para crianças e jovens, e a criação de uma orquestra infantil de frevo com "corpo" de dança. Já contou com o apoio do Criança Esperança, da Rede Globo.

Contatos

Rua Miguel Ribeiro, 77 - Centro - Abreu e Lima - PE - CEP 54510-180

WhatsApp: (81) 98806-8503 | E-mail: institutopassodeanjo@gmail.com / Facebook Oficial / Instagram Oficial

Araçoiaba

A cidade possui 20.733 habitantes. A 40 Km de distância do Recife, na área norte da Região Metropolitana, o município de Araçoiaba surge como destaque nacional negativo, pela ausência de serviços básicos. O menor e mais novo, de apenas 21 anos de fundação, e pouco mais de 20 mil habitantes, está na lista das 100 piores cidades do país para se viver. A cidade não possui atualmente projetos de referência divulgados.

| Perfil da Iniciativa de Referência

[Não Possui]

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Cabo de Santo Agostinho

A cidade do Cabo possui 208.944 habitantes. A Philarmonica 15 de Novembro Cabense tornou-se um símbolo e uma expressão marcante da cultura do município. Entre os seus vários ex-alunos figuram dois expressivos compositores de frevo, John Phillip Johnson (1898 – 1972) e Miro de Oliveira (1919 – 1991).

| Perfil da Iniciativa de Referência

 

A banda considerada patrimônio cultural da cidade de Cabo de Santo Agostinho, a Filarmônica XV de Novembro Cabense é uma banda de músicos formada por operários em 1888 deu origem a atual Sociedade Philarmônica XV de Novembro Cabense, no Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco. Depois de dois anos desativada a entidade foi reorganizada em 1914 e desde então mantém ininterruptamente suas atividades musicais. Saiba mais sobre sua história em documento oficial

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| Infraestrutura dos Projetos

 

Os convênios com a prefeitura do Cabo constituem a principal fonte de recursos da entidade, que no ano de 1917 foi reconhecida como de Utilidade Pública Municipal e desde então recebe subsídios financeiros para sua manutenção e custeio das apresentações. Em anos recentes, contudo, chegou a atravessar dificuldades financeiras por problemas decorrentes da execução de convênios. No ano de 1922, a diretoria conseguiu adquirir um prédio para acolher como sede da Banda Filarmônica, onde ainda funciona atualmente. Em 2021, celebra de música também vai realizar uma marcha pelas principais ruas do centro com a distribuição de panfletos e orientações de como cada cidadão poderá “tocar no mesmo ritmo” para ajudar na doação.

Contatos

Rua Vigário João Batista, 115, Centro - Cabo de Santo Agostinho

Telefone WhatsApp (81) 98787-7383  |  E-mail: bandafilarmxvnovcabense@gmail.com | Instagram Oficial

Camaragibe

A cidade de Camaragibe possui 158.899 habitantes. A cidade não possui atualmente projetos de referência divulgados. No entanto, já o teve no passado. Bianor Mendonça Monteiro doa o seu nome ao único cine-teatro da cidade, datado dos anos 1950, que está situado no bairro da Vila da Fábrica (assim nomeado por ter sido a vila operaria mais antiga da América latina, eixo das mais diversas reivindicações sociais e de um sistema de cooperativismo onde trabalhadores eram seus próprios patrões). Durante sua época ele foi um relevante agitador cultural, que deixou importantes legados pra o município, não só para as artes cênicas (com apoio de amigos criou o primeiro grupo teatral da cidade), mas dentre eles, uma iniciativa pioneira de educação musical popular. O livro "Bianor - Trajetórias e Memórias" documenta essa história.

| Perfil da Iniciativa de Referência

[Não Possui]

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Goiana

A cidade de Goiana, na zona da Mata Norte pernambucana (exceção às demais desta página) possui 80.055 habitantes.

 

Possui duas bandas centenárias como seus grandes patrimônios culturais e que sempre marcam presença em solenidades cívicas e religiosas, inclusive em viagens pelo Brasil ou concertos notáveis. A Sociedade Musical Curica foi fundada 1848, é a mais antiga banda da América Latina em atividade. Teve em sua história diversos presidentes, entre eles José Carlos Cavalcanti Borges, e entre os seus antigos sócios se encontram Getúlio Vargas e Flores da Cunha. Em variados eventos e inaugurações, apresentam-se sob a forma de orquestras menores, como no carnaval (tocando no centro e em polos descentralizados, como os distritos e arreadores). Resultante de um trabalho filantrópico de maestros, diretores e instrumentistas, são responsáveis pela contínua preparação de novos artistas, a renovação dos próprios integrantes -sendo inegável que têm colaborado com o despertar de talentos, com a formação de músicos, semeando a sensibilidade dos goianenses que a veem passar pelas ruas, despertando-lhes o amor à música e às vivas tradições da cidade.

A rivalidade entre as duas bandas de música de Goiana, a Curica e a Saboeira, sempre existiu e ainda é a mesma do passado, mas ambas são motivo de orgulho para o povo goianense e os pernambucanos.

| Perfil das Iniciativas de Referência

Reconhecida como Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco, em 2005, pela Fundarpe, Ponto de Cultura, desde 2010 e agraciada com a Comenda da Ordem do Mérito Cultural, em 2015, pelo Ministério da Cultura, a Banda Musical Curica, de Goiana/PE, acabou de completar 171 anos. Com tradição em formação musical para instrumentos de sopro e percussão, a Banda é considerada a mais antiga do estado em atividade ininterrupta (conheça mais a história aqui). Em sua sede mantém uma escola de música que atende gratuitamente 127 alunos, entre crianças, jovens e adultos. Regida por Everton Luiz Silva do Nascimento, o grupo tem 72 integrantes e apresenta repertório variado.

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Reconhecida como Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco, em 2018, pela Fundarpe, é a segunda Banda mais antiga do Brasil. A primeira notícia que se tem da existência dessa centenária está na sua participação aos funerais do capitão Manuel Vieira da Cunha, em 27 de novembro de 1849, conforme recibo em cartório. Sendo este do Partido Liberal, conclua-se que a Saboeira naquela época já fazia parte daquele partido político ao lado do desembargador Nunes Machado – expressão máxima do movimento praieiro de 1848. A “Saboeira” tem ainda ho